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Alimentação de grávida

Categoria: Entrevistas, Uncategorized por 12 de abril de 2010

Comer durante a gravidez dos meninos foi desafio para mim. No começo enjoava demais. Quase nada descia. O pouco que entrava, saía. Depois enjoava de menos, mas fiquei seletiva demais: comia Nutella aos bordotões na gravidez do Samuel e uva roxa na do Miguel.

Resumo da história: um desastre!

Se tivesse lido uma entrevista com a Andreia Naves, diretora da VP Consultoria Nutricional e vice-presidente do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional, naqueles tempos teria dado muito mais atenção ao que comia.

- Andreia, onde você estava há nove anos?????

Bem, apesar de não estar mais grávida, fiquei muito feliz e me cuidarei mais por causa da entrevista que fiz com a Andreia sobre a importância da alimentação na gravidez (ou em qualquer período da minha vida besta). Espero que você goste também.

Boa leitura!

- Como a alimentação da grávida  influencia na prevenção de doenças na vida adulta dos filhos?

Andreia Naves: O primeiro ambiente nutricional que temos contato é o da barriga de nossas mães. Pela  placenta são fornecidos nutrientes para a saúde fetal. Estudos atuais demonstram que a nutrição da mãe durante a gestação (e antes dela engravidar) tem impacto direto na saúde do feto, desencadeando uma programação metabólica para o desenvolvimento ou não de doenças na vida adulta. Quando nos alimentamos, nossos genes respondem, negativamente ou positivamente, ao alimento que consumimos. Por exemplo: existem pessoas que comem castanhas e desencadeiam herpes labial, outras apresentam aumento na produção de gases e ainda um terceiro grupo que pode consumir a castanha e não sentir nada ou até mesmo emagrecer com mais facilidade. Essa forma “individualizada” de como nossos genes se comportam frente ao ambiente que estamos expostos chama-se epigenética. Esse comportamento pode, inclusive, ser transferido da mãe para o filho durante a gestação. Ou seja, se a mãe foi bem nutrida durante toda sua vida reprodutiva, seus genes sempre desencadeiam uma reposta de saúde e vitalidade positiva. Esse comportamento será transmitido para o feto e protegerá a criança de doenças na vida adulta. No entanto, se essa mulher sempre teve uma vida de desequilíbrios nutricionais, provavelmente seus genes respondem a desequilíbrios funcionais (como TPM, hiperatividade, acne, síndrome do ovário policístico, etc) que também são transmitidos ao bebê, aumentando o risco dele desenvolver doenças metabólicas na vida adulta.

- Quais doenças podem ser prevenidas ainda no útero? De que forma? Por quê a alimentação previne?

Andreia Naves: Os estudos demonstram que podemos prevenir obesidade/síndrome metabólica, diabetes e câncer. Se a mãe tem uma boa alimentação, rica em nutrientes antioxidantes, vitaminas, minerais e compostos bioativos, as reações epigenéticas acontecem adequadamente e a criança fica mais saudável e protegida contra os desequilbrios metabólicos. Por exemplo, uma mãe que tem uma dieta rica em frutas, verduras, cereais integrais, leguminosas, proteínas vegetais e ovo fornece nutrientes para o bebe (via placenta) que são capazes de silenciar a expressão de genes envolvidos com o aumento de gordura corporal, resistência a insulina, proliferação de células cancerígenas etc. Agora, se a mãe não come nenhum desses alimentos e tem uma dieta rica em junk foods, esses “maus” nutrientes e a falta dos “bons” nutrientes aumentam no feto a expressão dos genes que aumentam a gordura corporal, levam a resistência a insulina, proliferação de células cancerígenas, etc.

- Quais alimentos podem ser os causadores/influenciadores do surgimento dessas doenças?

Andreia Naves - Via de regra as junk foods, pois têm muita gordura saturada, ácidos graxos trans e açúcares.

- Parar de comê-los apenas durante a gestação já resolveria o problema?

Andreia Naves – Não. Estudos demonstram que a programação metabólica para doenças na vida adulta do feto pode acontecer até mesmo antes do período de concepção. Se a mulher teve uma vida de desequilíbrios nutricionais, suas células (inclusive as reprodutoras) estão desnutridas, ou seja, sem nutrientes para silenciar a expressão dos genes que desencadeiam as doenças metabólicas.

- Um estudo recente mostrou que um consumo maior de determinados legumes e frutas por grávidas pode diminuir o risco de seus bebês dermatite. Sempre que leio sobre esses estudos fico me perguntando qual ?
? a quantidade a ser ingerida a mais para ter esse resultado?

Andreia Naves – É, essa é uma boa pergunta. Os estudos com programação metabólica ainda são muito novos! Não temos praticamente estudos em humanos, somente em ratos. Mas sempre orientamos o consumo de acordo com as diretrizes gerais como: 5 porções de frutas e verduras por dia, consumir diariamente gorduras boas, cereais integrais etc. No entanto, temos que levar algo em consideração muito importante que é a individualidade da dieta. O que é bom para uns pode não ser para outros. Veja o exemplo da castanha que te dei. O que para uns é um santo remédio para outros pode ser um amargo veneno!! Então, a individualização da dieta, avaliando as intolerâncias alimentares, é de fundamental importância, também, para a prevenção dos desequilíbrios funcionais tanto na mãe como no feto.

- Se a alimentação materna tem poder de prevenão, qual o papel da herança genética no surgimento de doenças em nosso filhos. Um exemplo: meu sogro tem colesterol alto, os três filhos (meu marido é um deles) também. Como eu poderia, na gestação e por meio da alimentação prevenir que meus filhos de desenvolver esse problema na via adulta?
Andreia Naves -  A herança genética tem uma importância, sim. Veja você: seus cunhados e seu marido herdaram do seu sogro esse comportamento genético para aumento do colesterol. Provavelmente, durante a gestação deles faltou nutrientes que conseguissem silenciar genes que regulam bioqumicamente o metabolismo do colesterol. Claro que a vida que eles levam hoje também pode estar contribuindo para esse aumento do colesterol. Sabendo disso, é importante então que durante a gestação você tenha um consumo adequado de doadores do grupamento metil, alimentos que conseguem silenciar a expressão de genes envolvidos com doenças. São eles: ovo (colina), cereais integrais (zinco e magnésio), leguminosas (lentilha, feijão, grão de bico), vegetais folhosos escuros crus (vitaminas do complexo B). Eu sempre digo em aula que as meninas que ainda não casaram devem escolher seus maridos pela qualidade do espermatozóide (se está bem nutrido) e não pela beleza!!! Assim, já é 50% de chance de prevenção de doenças.

É isso aí!
beijos
Patricia


Comentários

  1. Flávia Costa disse:

    Olá! Meu nome é Flávia, estou gravida de 12 semanas, e tenho muita vontade de comer uva, abacaxi e toma o suco dessas frutas, porém me disseram que na gravidez não pode…. ???
    Será que é verdade mesmo?? Comprei vários sucos de uva antes de saber que não podia… e quando olho a garrafa fico “aguada” de vontade.

    Preciso de uma orientação.

    Aguardo resposta.

    Obrigada.
    Bjo

    1. Comer para Crescer disse:

      Oi, Flávia.
      Nossa! Nem eu sabia que grávida não podia tomar suco de uva, de abacaxi etc? Mas, vem cá, os sucos que você comprou são aqueles de caixinha diets? Se foi, ascho que não pode mesmo por causa do adoçante. Mas acho que vc deveria conversar com seu médico e ouvir o que ele, que estudou sobre o assunto, tem a dizer.
      beijos e excelente gravidez.
      Patricia

  2. Flávia Costa disse:

    Obrigada!
    Então, não são diets não? É suco integral mesmo… É cada coisa néh! Eu andei pesquisando na internet sobre o assunto… e encontrei muita coisa que não podemos comer,na verdade evitar – como:banana, pessego, carambola… Eu amo comer frutas!! E o mais engraçado é que eu não tenho nenhuma vontade de tomar refrigerante, comer salgadinhos de festa… Vou verificar com o médico mesmo.

    Obrigada

    Bjo

  3. Educação Alimentar…

    Algumas regras nos hábitos alimentares que ajudarão a manter seus corpos saudáveis e sua mente harmoniosa, longevidade e qualidade de vida…….

  4. Michelle disse:

    Flávia, estou gestante e este Natal tive um sangramento no fim do dia 25 que me deixou apavorada. Fui ao hospital e a ultra viu que tudo estava perfeitamente normal comigo e com o bebê, mas estou de repouso por via das dúvidas. Antes de engravidar fiz uma lista de alimentos abortivos e tudo que soube ser acredutado como abortivo excluí da minha alimentação, mas não sabia do suco de uva.
    No Natal comi tudo certinho, ingerí 4 copos de suco de uva integral orgânico e ficamos desconfiados que possa ter sido ele pelo fato da uva ter fama de afinar o sanguededelemamãe

  5. Ingrid disse:

    Querida nunca ouvi falar que fruta faz mal, porfavor são opniões de pessoas leigas no assunto.

  6. Regina disse:

    Olá,

    muito bem vinda essas orientações. minha filha está 36ª semana de gestação, e eu falo (meus mais antigos) tenha cuidado com o que come. o mau vem pela boca.
    Uma dessas frutas, é suco de acerola. è bom evitar, assim como suco de maracujá. Provoca dores parecidas com colecas e não nada agradavel.
    Parabéns, pela materia.

  7. Jacqui disse:

    Oi estou grávida de 17 semanas e nos três primeiro meses comí mais uva do outra coisa, sentia muita vontade e me ajudava a passar o enjoo que sentia…
    Fiz algumas pesquisas e descobri que uva ou o suco fazem mal ao bebê sim, mas só no terceiro trimestre da gravidez.

    1. Comer para Crescer disse:

      Nossa, Jacqui! Qual foi a fonte da sua pesquisa? Nunca tinha ouvido que suco de uva faz mal para o feto na gestação.

  8. lilian aparecida da silva disse:

    minha GO disse que não faz mal, disse aliás que faz bem para o coração, mas como tudo não devemos toamr em excesso.