Você vai ao banheiro, faz cocô e se limpa, certo? Solta a descarga e, em seguida, lava as mãos com água e sabão, claro! Você também pede aos filhos para que eles lavem as mãos com água e sabão depois de defecarem. E você, como eu, imagina, obviamente, que esse é um hábito comum a todos nós, principalmente depois da crise da gripe suína no ano passado.
Bem, tenho uma amiga que sempre diz que o óbvio nem sempre é óbvio. E passar um sabão nas mãos depois do cocô básico está na categoria do não-óbvio. Pelo menos foi o que constatou uma pesquisa do Ibope com 277 paulistanas, a maioria mães de filhos entre 4 e 12 anos. Para 74% das entrevistadas, todo mundo deveria lavar as mãos com sabonete depois de defecar. E 62% disseram ter o costume do asseio.
Para tudo! Fiquei maluca ou o mundo está de ponta cabeça!? Como assim apenas 62%, e não 1OO%, lavam as mãos com água e sabão depois de limpar a bunda?! E como assim 74%, e não 1OO%, acreditam que a maioria das pessoas deveria ter o hábito higiênico?!
Lembro de ter visto, quando era pequena, um episódio do Mundo de Beakman, aquela série com um professor/cientista maluco, com cabelo de Einstein, e que tinha um rato como ajudante, em que ele explicava como o sabão funcionava, porque ele limpava. Se quiser ver a explicação clique no link acima e assista o episódio. Pena que Beakman não fala da sujeira das mãos, mas a teoria da ação do sabão é a mesma.
O sabão, qualquer tipo, ajuda a água eliminar gordura, germes e bactérias das nossas mãos. Aliás, essa galera da pesada tem uma capacidade incrível de se meter entre as riscas das nossas palmas e dos dedos. Elas estão ali, mesmo que a gente acredite o contrário, ou seja, que está tudo limpo.
Não se engane. Nossas mãos têm bastante coisas nojentas. Arthur Timerman, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, disse durante uma palestra sobre hábitos de higiene, na semana passada, que o vírus da conjuntivite, por exemplo, se esconde entre as nossas digitais. Daí, você coça o olho e cabummmm!!!! lá vai o vírus fazer companhia a sua menina dos olhos.
Se vamos ao banheiro e saímos de lá sem lavar as mãos, levamos junto uma tal de “contaminação fecal”. Bem, com esse sobrenome, não devemos carregar algo bacana. Agora, imagine se, ao sair do banheiro sem lavar as mãos, a pessoa vai para a cozinha e corta uma maçã e dá ao filho. Sabe para onde vão os restos fecais? Eca… Nem vou continuar porque já entendemos.
Ou não. A mesma pesquisa do Ibope descobriu que, das 277 mulheres entrevistadas, 3O% não acham que lavar as mãos seja uma ação de boas maneiras, de educação, e só 25% afirmaram se importar em garantir que seus filhos lavem as mãos com sabonete depois de ir ao banheiro. Em uma outra pesquisa, desta vez com 150 crianças, investigou-se o que elas tinham nas mãos: 65% tinham bactérias fecais. Criança coloca a mão na mão, né?! E 75% das mães não se importam com a limpeza das mãos dos filhos.
O mundo está realmente de cabeça para baixo…
Para ajudar o planeta a se restabelecer na órbita, mais alguns dados sobre por que é importante lavar as mãos (e fazer os filhos lavarem também) antes de sair do banheiro, antes de preparar as refeições e antes de comer:
- porque ajuda a reduzir em 42% os casos de doenças diarréicas, tipo o rotavírus que adora detonar os bebês
- porque ajuda a diminuir em 52% os casos de infecções respiratórias, como aquelas transmitidas pelo H1N1 ou por outros vírus, como o sincicial, que adora detonar o pulmão de bebês muito pequenos, e de outros vírus como o da conjuntive que já foi citado
- porque nossas mãos podem também ter bactérias da salmonella, ou da shigella ou, pior, da meningite, que sobrevivem até oito horas sobre as digitais humanas, além de protozoários da giardia, por exemplo, que causa diarréia.
A pesquisa do Ibope foi encomendada pela Unilever para o lançamento do sabonete antibacteriano Lifebuoy. Você pode, agora, estar pensando que eles estão tocando o terror porque querem vender sabonetes. Ok, pode até ser. O engajamento da empresa, porém, me pareceu ser outro. Os executivos presentes no evento parecem ter um interesse genuíno em, além de vender muitos sabonetes, mudar o hábito das pessoas de não lavar as mãos com frequência para ajudar a erradicar doenças que já poderiam estar na categoria de extintas se mais mães, pais, avós, professores, médicos tivessem o hábito de lavar as mãos com sabão no mínimo cinco vezes ao dia.
A missão é inglória porque mudar hábitos é difícil pra caramba. Eu, por exemplo, desisti de fazer dietas porque não consigo perder o hábito de comer pão. Barreiras culturais impedem que as pessoas demorem a mudar de atitude. E gente de todas as classes sociais, viu?! Uma outra pesquisa mostrou que quase 50% dos profissionais que trabalham em UTIs de hospitais, com doentes bem debilitados, não têm esse hábito quando estão trabalhando. Ui! Isso bem nojento!
Bem, se eles, que são treinados para também lavar as mãos com sabão ou passar álcool-gel, que também retira as coisas nojentas das nossas palmas e dedos, não fazem, o que dizer de nós?
Mas dá para mudar essa história. Começando. Que tal hoje? Que tal agora? Eu já tinha certa mania em lavar as maõs, mas confesso era negligente com os meninos, saí da palestra mandando menino lavar até embaixo da unha!!!
Vale continuar lavando sempre, além de ensinar os pequenos e compartilhar com os adultos a importância desse ato. Mas na boa para não ferir humores nem desencadear TOC.
Ah, dia 15 de outubro será o dia nacional de lavar as mãos! Então, passa sabão na mão para tirar o melecão (ou cocozão)!
beijos,
Patricia
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26/jul/2010
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[...] dá para mudar isso? Dá sim, basta começar hoje. Pegue seu filhote e brinque com ele na pia ensinando a lavar as [...]
[...] rede social para, quem sabe, dar um banho de gato no seu filho nos momenos de emergência, porque só água e sabão tira as bactérias das mãos. Não vale pegar a frase que está aqui do post. Você precisa seguir a gente no Twitter e retuitar [...]