Archive for agosto 25th, 2010

Receita de família

Há alguns dias perguntei no @comercrescer qual era a receita que a sua mãe faz(ia) e que você guarda no coração, digo, estômago. A @angelicamanhaes falou de uma carne assada da mãe com tanto carinho que fiquei curiosa. Pedi a receita e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que a receita é daquelas passadas entre as mulheres de uma família brasileira há décadas.

Ela contou que “as mulheres da família da mãe cozinham muito bem. Não sabem fazer nada muito “diferente”, mas o trivial é sensacional. Tem uma receita super simples de carne assada com batata dourada, da minha avó, ensinada para a minha mãe e que eu aprendi. Quando eu era pequena, todo domingo eu ia para a casa da vovó, com aquele um monte de primos e pedíamos a carne assada. Infelizmente, depois que ela morreu, os encontros dominicais acabaram. Uma pena! Percebi que minha mãe evitava fazer a receita, acho que para não sofrer. Mas com o tempo, ela venceu a resistência e passou a fazer a carne. Depois que casei, aprendi a receita e me esforço para que fique parecida com a da minha mãe. Minha filha e meu marido adoram. Principalmente a batata, que pega o sabor da carne e fica ótima. Divido com vocês. Espero que gostem.”

Lá vai a receita:
Ingredientes
1 kg de carne para assar (eu gosto de músculo ou de alcatra)
2 colheres de chá de açúcar cristal
1 colher de sobremesa de tempero completo (ou de sal, pimenta do reino e ervas)
1 Tomate (sem pele e sem semente)
1 Cebola
Azeitonas
1 kg de batata

Carne:
Tempere de um dia para o outro e deixe marinar na geladeira. Coloque na panela de pressão, o óleo e as duas colheres de chá de açúcar. Espere até o açúcar derreter e ficar marrom. Em fogo baixo, jogue a carne e vá virando aos poucos até soltar o caldo. Quando estiver bem moreno, coloque a cebola e o tomate picados. Coloque 100 ml de água e deixa cozinhar na pressão e deixe por 20 minutos. Abra e veja se está macia, caso contrário, deixe mais alguns minutos. Quando estiver pronta coloque as azeitonas e a batata dourada

Para as batatas douradas:
Corte as batatas em 4 pedaços, cozinhe na água com sal. Escorra e frite em óleo quente.”

Parece mesmo deliciosa. E para você, qual receita que sua mãe (ou pai, ou avó) faz(ia) e que mora no seu coração? Quer contar para a gente?

Beijos,

Patricia

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Se o consumo de frutas, legumes e verduras (FLV) na infância é importante para fortalecer o organismo, a ingestão desses alimentos continua fundamental na adolescência. Eles fazem o papel de combustível saudável para as intensas transformações que acontecem nesse período. A molecada precisa comer os alimentos de cores verdes, amarelas, laranjas, vermelhas para continuar crescendo forte e saudável.

Mas a garotada faz forte resistência aos FLV. A nutricionista Roberta Bigio descobriu, numa pesquisa para avaliar o consumo desses alimentos com 812 adolescentes, entre 12 e 19 anos, moradores da cidade de São Paulo, que apenas 6,4% consumiam a recomendação mínima de 400g/dia (ou cinco porções).

Os outros 93,6% adolescentes pesquisados se dividiram entre aqueles que mal comem uma verdurinha e os que não comem nada. Incríveis 22% dos 812 adolescentes que responderam às questões – ou 179 pesquisados – não haviam consumido nenhum tipo de FLV no dia no levantamento. Nada. Nenhuma maçã, banana ou laranja. Não beberam sequer um copo de suco.

Os 71,60% restantes ficaram na média de ingestão de cerca de 70g/dia. “Isso quer dizer que eles comem menos de ¼ da recomendação diária”, disse Roberta, em entrevista ao COMER PARA CRESCER, por email.

Roberta, que é mestranda do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, iniciou os trabalhos com os jovens nos idos de 2000. Esse trabalho foi publicado em 2003 e seus resultados serão mostrados no 2º Congresso Mundial de Nutrição em Saúde Pública, na cidade do Porto, em Portugal, que acontece agora em setembro. A próxima etapa da pesquisa, Roberta diz que estará pronta até agosto de 2011.

Antes de embarcar para Portugal, ela conversou com o COMER PARA CRESCER sobre o levantamento e deu algumas dicas para atrair o paladar dos filhos, ainda na infância, para os alimentos saudáveis. Abaixo um trecho da conversa.

CPC – Na pesquisa, você diz que a quantidade mínima recomendada desses alimentos é de 400g/dia. Essa quantidade significa as tais cinco porções diárias de FLV? E que porção é essa? Um copo de suco de laranja pode ser considerado uma porção de fruta, por exemplo?

Roberta: Sim, 400 g/dia significam cinco porções de FLV. A porção seria em torno de 80g. Isso significa uma fruta média (maçã, banana, pêra, laranja) ou uma fatia de mamão. Um suco com duas laranjas, por exemplo, já equivale a duas porções. A mesma conta vale para legumes e verduras (um tomate, uma cenoura ou 80g de abobrinha cozida).

CPC – Quais outros resultados você encontrou no estudo?

Roberta: Que quanto maiores a renda e a escolaridade do chefe de família, maiores são as chances de o jovem de ingerir FLV.

CPC – Por quê?

Roberta: Acreditamos pelos seguintes motivos: os de maior renda têm maior acesso à compra de FLV, pois esse grupo de alimento pode ser considerado “caro”. Outra coisa é que quem recebe cesta básica, por exemplo, não tem acesso a frutas, legumes e verduras. Além disso, as famílias de maior escolaridade do chefe têm mais acesso à informação sobre os benefícios de consumo de FLV.

CPC – Você investigou também o motivo pela baixa ingestão de FLV?

Roberta: O motivo não foi investigado, só o consumo. Foram levantadas apenas hipóteses.

CPC – O que fazer para melhorar a ingestão dos adolescentes?

Roberta: Existem algumas alternativas que podem facilitar como políticas públicas que barateiam o preço de frutas, legumes e verduras para as classes sociais mais baixas. Além de educação nutricional em escolas explicando a importância desse grupo de alimentos para o organismo e, por fim, campanhas educativas em rádio e TV para melhorar a ingestão.

(Essa última sugestão é mesmo boa. Nunca vi propaganda sobre o bacana do consumo da maçã, por exemplo.)

CPC – O que se pode fazer para o consumo de FLV se tornar um hábito?

Roberta: O FLV pode ser consumido puro ou junto a outras preparações. Para as crianças mais resistentes vale à pena misturar, por exemplo, arroz com espinafre ou brócolis, couve cozida junto ao feijão, suco de cenoura com laranja e mamão.

Beijos,

Patricia