Leite materno é afetado pela alimentação da mãe
Filed Under : notícias by Comer para Crescer
30/set/2010
Sempre desconfiei que o leite materno sofre influências das substâncias ingeridas pela mãe. Nunca engoli muito a história de que podemos comer de tudo, desde que moderamente, durante o período que amamentamos. Que podemos comer feijão, chocolate, beber café entre outros alimentos porque eles não provocam cólicas nos bebês. O que causa os doloridos espasmos é o natural movimento da flora, do intestino e por aí vai. Ok, até concordo com a explicação, mas a minha desconfiança ganhou mais ares de certeza quando Miguel passou a sofrer com a suspeita de ser alérgico à proteína do leite de vaca e eu é que tive de entrar numa dieta livre de alimentos lácteos.
Desde então, passei a acreditar que toda mãe que deseja realmente amamentar exclusivamente o rebento deveria se alimentar como as mamíferas de grande porte (baleias, vacas, vacas-marinhas, que são as mulheres dos peixes-bois, leoas) quase que exclusivamente de um tipo de comida ou a menos variada e mais saudável possível. Isso significa comer muito mato (os verdes) e carne (da cor branca, de preferência peixe, ou as de cor vermelha) e abandonar os açúcares (os carboidratos) e tudo que produz gás metano (rsrs).
Dureza, não? Também, acho. Mas eu sobrevivi, às duras penas, confesso, sem leite e derivados – pão, bolachas, biscoitos, queijos.
Hoje, a certeza virou CER-TE-ZA com as pesquisas que estão sendo apresentadas no Congresso Ibero-americano de Bancos de Leite, que está acontecendo em Brasília desde ontem, quarta-feira, dia 29/9, sobre a influência da alimentação na qualidade do leite.
Um estudo, que eu considero muito interessante, está sendo feito no Rio de Janeiro. Ele tenta descobrir porque o leite de algumas doadoras tem mais calorias do que o de outras.
Diz o texto, da Rede Brasileira de Banco de Dados, que “a coordenadora do setor Processamento e Controle de Qualidade do Banco de Leite Humano do IFF/Fiocruz, a engenheira de alimentos Danielle Aparecida da Silva, conta que estão sendo investigados os hábitos alimentares de mulheres que doaram leite humano com mais de 700 Kcal/Litro e menos de 400 Kcal/Litro. “… O objetivo do estudo é identificar como se alimentam as mães geradoras de leite humano altamente calórico, para orientar a dieta de lactantes a partir destes resultados”, Danielle resume.
“Ainda em fase preliminar, a pesquisa inédita no país está sendo realizada no município do Rio de Janeiro, com doadoras do Banco de Leite Humano do IFF/Fiocruz – referência nacional na área.
“A meta é expandir o estudo para outros Estados, para compreender a influência de alimentações típicas na qualidade do leite humano. “O Brasil é um país muito diverso e cada região tem um hábito alimentar diferente. Queremos investigar a qualidade do leite humano em cada uma destas situações, considerando, por exemplo, o alto consumo de óleo de dendê na Bahia ou a elevada ingestão de carne no sul do país”, apresenta a engenheira de alimentos. A pesquisadora destaca que os resultados permitirão a elaboração de dietas a partir do hábito alimentar e nutricional de cada região do país, valorizando a cultura local.”
Pois é. A grande questão é: descoberta a influência da qualidade da alimentação no leite materno quantas mães estarão dispostas a abrir mão das delícias culinárias em pró do aleitamento materno? Hoje já são poucas as dispostas a encarar a jornada da exclusividade, são poucas as dispostas a atravessar o mar de obstáculos que o aleitamento no impõe, inclusive de disponibilidade. Como diz a filósofa Elizabeth Badinter (crítica da tirania do aleitamento materno), amamentar passa a ser um trabalho em tempo integral para a mulher. Você estaria disposta também a restringir o que coloca no prato? Mesmo?
A propósito: eu topei porque achei que valia a pena e porque era financeiramente mais barato do que me aventurar nas fórmulas exclusivas e caras.
Beijos,
Patricia
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