• JUNTE-SE A NÓS NAS REDES SOCIAIS:

Todos os dias uma mãe sofre porque o(a) filho(a) não come

Categoria: Comportamento por 9 de maio de 2012

Todos os dias, uma mãe padece na cozinha inventando uma comida diferente para que o (a) filho(a), dessa vez, coma.

Todos os dias, uma mãe fica de estômago embrulhado, tensa, irritada porque a hora do almoço ou do jantar se aproxima e ela sabe que o(a) filho(a) vai rejeitar a comida mais uma vez, que vai chorar à mesa ao ver o prato, que vai regurgitar o que engoliu, que vai colocar duas colheradas na boca e rejeitar o restante.

Todos os dias, uma mãe está sentada na antessala do consultório do pediatra para, mais uma vez, pedir socorro porque o (a) filho(a) não aceita nada além de leite ou mingau.

Todos os dias, uma mãe termina o dia esgotada, sentindo-se culpada, ansiosa porque o filho não come.

Hoje, uma mãe em algum lugar do Brasil deseja que o(a) filho(a) coma melhor, um pouco mais, que não rejeite a comida, que aceite o ingrediente novo.

Não importa em que parte do mundo essa mãe esteja, ela sofre com o(a) filho(a) que não come.

O seu sofrimento é real, verdadeiro, deve ser respeitado e levado a sério.

Não é coisa de mãe maluca ou ansiosa. Ou melhor, não é só coisa de mãe ansiosa e maluca. Não é fricote.

A queixa materna de ” meu filho não come bem” afeta os lares de todas as famílias com acesso à comida, seja ela rica ou pobre. Não há distinção de cor, raça ou classe social. Na literatura médica, a queixa afetaria entre 10 e 25% das crianças. Na experiência dos consultórios e numa pesquisa feita pela Abbott essa queixa afeta 51% das 984 mães entrevistadas em todas as regiões do país. “Essa é a mesma porcentagem que vemos no consultório”, disse Mauro Fisberg, pediatra, nutrólogo, médico especializado em alimentação infantil e dificuldades alimentares, durante o 4 Encontro Internacional de Dificuldades Alimentares, realizado no Rio de Janeiro pela Abbott Nutrition. Segundo o médico, essa porcentagem pode alcançar 80% das crianças se houver problemas familiares associados às dificuldades alimentares.

Mas estar no consultório para se queixar que o filho não come não significa sair dele satisfeita com o que disse o pediatra da criança. Na grande maioria dos casos, quem atende essa mãe mal sabe do perrengue, tensão e estresse que ela passa todos os dias. O médico não pede para que ela mostre, no consultório, como a criança reage diante de um prato de comida. Esse médico não entende essa mãe e desconhece o problema que ela está relatando porque mal estudou na universidade sobre a principal queixa materna.

É um pouco chocante saber que entre as principais preocupações das mães está um problema que os pediatras pouco pesquisam e  estudam durante os anos na universidade. E poucos se interessaram por estudar mais à miúde o tema para entender o que é essa queixa, mesmo tendo de ouví-la todos os dias.

Mais chocante é ouvir do Dr. Mauro Fisberg dizer que há, sim, problema em a criança não querer comer. “Há consequências sérias, a principal delas é a desnutrição de uma criança em uma família com acesso à comida. Esse tema carece de muita informação”, disse ele.

Depois de décadas estudando e participando de grupos de estudos sobre esse problema, Dr. Mauro contou que finalmente foi criada uma ferramenta para ajudar o pediatra a identificar o perfil da criança que não come bem, seja ela magra ou com excesso de peso, porque os gordinhos também costumam ser seletivos exagerados. A ferramenta se chama IMFed (sigla para Identification and management for feeding difficulties).

Se você tem um pediatra de confiança, mas carente de informação sobre esse tema, converse com ele sobre o IMFed. Talvez seja mais uma ferramenta para ajudar a contornar esse problema, que não é um transtorno alimentar, pois não exige tratamento psiquiátrico, “é uma dificuldade, um problema que afeta negativamente o processo de suprir nutricionalmente a criança”.

Na semana que antecede o Dia das Mães, esse post é uma homenagem a todas aquelas que enfrentam diariamente o drama do(a) filho(a) não querer comer, que rejeita a comida, que é seletivo exagerado, que tem pouco apetite, que é cheio de rituais para comer, que é agitado e não se concentra na comida, que tem pouco interesse pela comida, que demora uma eternidade para comer, que tem comportamento infantilizado para a idade, trocando a comida pela mamadeira.

A todas vocês nossos sinceros votos de uma mudança rápida nessa situação, de que nunca mais fiquem tensas nem de estômago embrulhado ou suando e tremendo porque a hora de alimentar a criança está chegando.

Para todas as mães que precisam de informação sobre como agir, nós já publicamos um guia do Dr. Benny Kerzner, que também estava no Encontro, sobre crianças com dificuldades alimentares. O guia está nesse link aqui.

Nesse link, é possível encontrar informações (em inglês) sobre cada um dos perfis de crianças com dificuldades alimentares que foi traçado pelo Dr. Benny Kerzner e pela psicóloga Irene Chatoor, também presente no Encontro.

 

beijos,

Patricia e Mônica

 

PS: O Comer para Crescer viajou ao Rio de Janeiro para participar do 4 Encontro de Dificuldades Alimentares a convite da Abbott Nutrition. 

 


5 thoughts on “Todos os dias uma mãe sofre porque o(a) filho(a) não come”

  1. Carina Luna disse:

    Olá meninas!
    Quando li este post eu chorei! Era exatamente o que eu passava todos os dias! E aqui eu vio nome do Dr. Mauro! Graças a vocês eu levei meu filho para consulta com ele, recebi o diagnostico: tenho um rapazinho seletivo sensorial! Mas graças ao dr. Mauro e a Priscila, hoje a situação aqui em casa esta bem melhor, ainda estamos nos adaptando, reeducando hábitos adquiridos, tentando coisas novas e hoje o Lucca come bem melhor. Então eu só queria agradecer a vocês pelo blog, foi de muita ajuda pra mim e tenho certeza que é também para muitas mamães e papais desesperados porque seu filho não come. Obrigada!

  2. Barbara disse:

    Oi Patricia, vou dar uma olhada no link! E sobre a alimentacao, eh dificil mesmo a gente abrir mao das nossas expectativas do que eh “comer bem” e deixar a crianca em paz, nao eh? ;)
    Bjs!

    1. Comer para Crescer disse:

      Sim, Bárbara. É difícil, mas no congresso os médicos foram claros ao afirmar que a criança precisa ter a opção poder escolher o que lhe é oferecido e quanto colocar no prato. Mas existem crianças que, de fato, comem muito pouco, chorar, regurgitam. Um dos médicos mostrou um vídeo de uma criança chorando no cadeirão enquanto era alimentada, quando a mãe deu a ela o direito de ficar com a colher e comer do jeito dela, a criança parou de comer. Por isso, que vc observar o seu filho e “ajudá-lo” é o mais correto. Ás vezes ele vai comer mais, às vezes, menos. Mas terá uma relação saudável com a comida.
      parabéns.
      Beijos

  3. Barbara disse:

    Mas o que eh exatamente “ter problema para comer”? Pergunto isso porque recentemente resolvi que nao ia mais forcar a barra para meu filho de dois anos comer as refeicoes inteiras. Passei a botar a comida na frente dele e ver o que acontecia.
    Resultado: ele esta comendo bem menos (as vezes eu dou umas colheradas na boca, mas so algumas). Entre as refeicoes, dou uma maca e ele come metade (as vezes tudo). Nas refeicoes, come um pouco de cada coisa (eu nao deixo ele “escapar” dos vegetais). Toma bastante suco e leite.
    Continua bem, ativo, e fazendo coco todo dia.
    Mas comparado com o que comia, a quantidade diminuiu bastante. E ai? O que isso significa? Nao faco ideia.
    Estou observando para ver se entendo melhor o apetite dele. Mas o ponto eh: a quantidade de comida diminuiu, o que seria suficiente para deixar qualquer mae ansiosa. E quando eu ponho a comida na frente dele, ele so quer a farofa, nao o resto (para comer o resto precisa de uma ajudinha). Mas sera que ele nao esta comendo bem mesmo?
    Se eu fosse num pediatra com essa queixa, nao seria o caso de ele dizer “relaxa e observa”? O problema, em alguns casos, esta na crianca ou nao mae, que ve problema onde nao tem?
    (estou pergtuntando sicneramente – acho essa coisa de comida meio complicada, tem que ter muito feeling para observar e ajustar o rumo)

    1. Comer para Crescer disse:

      Oi, Bárbara.
      Ótimas as suas perguntas. No especial que publicamos e tem o link no texto descrevemos o perfil das crianças que não comem, que parece não ser o caso do seu filho, afinal ele senta e come, o que ele gosta e na quantidade que ele acha que mata a fome dele, afinal ele tem só 2 anos. E você, sabiamente, tem “ajudado” a completar o prato, mas não exagerar.
      Parabéns pela atitude de dar ao seu filho o poder de escolher o que deve comer, claro, que com uma ajudinha, afinal, como disse, ele tem apenas 2 anos.
      bjs
      Patricia

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>