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A obesidade infantil é invisível aos olhos dos pais?

Categoria: Comportamento, Dicas, Notícias por 7 de agosto de 2012

Eu e Mônica criamos o Comer para Crescer há quase três anos. Durante esses anos todos temos recebido dezenas de perguntas, dúvidas angustiadas de mães e pais preocupadas com o filho que come pouco, que é seletivo, que para de comer. Perguntas angustiadas de mães e pais preocupados com o filho que come demais e está muito acima peso recomendado são praticamente raras. A gente se pergunta qual a razão dessa discrepância entre mães de crianças que comem pouco com as mães de crianças obesas.

Será a obesidade infantil invisível aos olhos dos pais?

Os dados do IBGE têm mostrado uma população brasileira, inclusive as crianças, cada vez mais acima do peso.

A obesidade é uma doença crônica e chatérrima de ser tratada na infância, mas se não for cuidada pode se perpetuar pela vida toda do filho. Na semana passada estive no Seminário sobre obesidade na Infância e Adolescência, da Faculdade de Saúde Pública da USP, e entre tantos dados que a professora-doutora Ana Maria da Luz apresentou um em particular chamou mais a minha atenção:

Pesquisa do CDC (Centro de Controle de Doenças dos EUA) com crianças mostrou que:

– 40 a 59% dos meninos entre 5 e 12 anos tinham sobrepeso e obesidade e 60% deles seriam obesos quando tiverem entre 30 e 39 anos.

– 20 a 39% das meninas entre 4 e 12 anos tinham sobrepeso e obesidade e 60% delas seriam obesas aos 30 e 39 anos.

Basicamente, uma vida inteira de obesidade. Será que é isso mesmo que desejamos para os nossos filhos? Uma vida inteira no limite entre ser saudável ou não.  Talvez, silenciosamente, esteja ocorrendo uma mudança de hábitos de alimentação e de comportamento. Mas tenho minhas dúvidas. O indicativo mais concreto de que realmente algo está mudando no núcleo familiar pode ser medido por uma maior frequência, aqui no blog, de dúvidas sobre por que o filho come muito e engorda demais. E essas dúvidas, por enquanto, não estão chegando.

Beijos,

Patricia, em semana reflexiva


10 thoughts on “A obesidade infantil é invisível aos olhos dos pais?”

  1. Shirlei Satie Favaro disse:

    A minha opinião é talvez um pouco preconceituosa, mas senti vontade de responder ao seu questionamento: Por que as dúvidas sobre obesidade não estão chegando a vocês? A minha suposição é a de que a mesma preguiça que leva aos pais deixarem seu filhos obesos não os levam a lerem blogs como o de vocês….. ou seja, os pais de filhos obesos simplesmente não procuram informação para mudar esse quadro! Não faz sentido? Já é consenso que educar dá trabalho, e isso inclui alimentação.

  2. Kathe disse:

    Ainda existem muitos pais com a ideia de que se a criança ta gordinha ela está “saudável”….conheço muitas crianças gordinhas,mas que são gordinhas por comerem muito,e nao por comerem porcarias,conheço crianças que se servem 4 vezes nas refeiçoes,inclusive de saladas,aqui no sul tem muito disso…meu marido foi uma dessas crianças e hj ele ta bem acima do peso,ele nao bebe,nao fuma e nao come porcarias,mas come muito….nao sei se isso é regional,genético…meu filho tem 3 anos e esta no peso ideal axo que “puxou a mim”…mas axo que os pais deveriam dar atençao a isso…nao somente “privar”a criança de doces e porcarias mas regular a quantidade de alimento ingerida nas refeiçoes…seja ela qual for.

  3. Ana Lucia Soares disse:

    Boa tarde. Conheci a página de vocês e gostei muito. Adoro cozinhar e “xeretar” sobre alimentação. Estou precisando de ajuda para orientar os pais sobre o lanche das crianças na escola.
    Gostaria que deixassem os embutidos de lado e dessem preferência para os lanche mais simples. Pão, manteiga, frutas. Se puderem me indicar textos ou livros, ficaria imensamente grata! Um forte abraço, Ana Lucia.

  4. Acredito que esta atitude dos pais ainda seja um reflexo dos tempos de antigamente, quando uma criança gordinha era vista como saudável. Ainda há muito disso na sociedade. Acho que parte disso é porque as mães pensam: melhor um filho gordinho do que com anorexia ou bulimia. Na verdade, os dois hábitos são destrutivos. No entanto, não acho que a obesidade infantil não seja vista. Penso que é mais fácil ela ser ignorada. O problema é que, no futuro, isso se tornará um grande problema, como apontado no artigo. Este é um bom tema a ser tratado.

  5. Valéria disse:

    Acho q a obesidade infantil hj vem de uma certa “preguiça” dos pais em preparar alimentos para os pequenos – qualquer não ou resistência, mesmo ainda bebês, vem seguidos de substituições: leite com achocolatado – ou mesmo adoçado, sorvete (contém leite!!), chocolates, salgadinhos…isso vicia o paladar, mas, como é gostoso, acalmam e pronto! O hábito é feito desde pequeno, se a criança recusa uma fruta ou papinha, troque e ofereça em diferentes preparos, mas nunca substitua por algo mais fácil e aparentemente aprazível! Crueldade é uma cena q vi com um amiguinho do meu filho: queria tirá-ló de qquer jeito da tiroleza, pois não conseguia subir na escada de corda! Meus filhos comem doce sim, mas não é à vontade, e não compro qualquer coisa: refrigerante não, aliás adoram suco e água, bolachas ou bolos industrializados sem recheio…é mais trabalhoso, mas sem dúvida compensa: 1° antibiótico com 3 anos, pique para brincar, ir no Mc ou em festas sem precisar se preocupar com a balança…é absolutamente possível, só é preciso mais atenção!

  6. Concordo! Como professora de Ensino Infantil, devo dizer que não importa muito o lanche que os colegas apresentam na hora da merenda, importa é o quão legal e divertido você faz o lanchinho deles. Eles sempre podem (e é saudável) oferecer um pouco do lanche aos colegas, mas a refeição principal deve ser a que a mãe enviou de casa.

    E mais, que escola é essa que permite a entrada de junk food para merenda?? Na minha sala, se vier refrigerante, mandamos de volta. Chocolate e Fandangos também voltam na lancheira. Além disso temos um lanche fornecido pela escola (opcional e a $ a parte) que o pai pode optar… nesse lanche só vem coisinhas saudáveis!!

    O ensinamento do que é legal e do que não é vem de casa… mas leva tempo. Para oferecer uma alimentação saudável para seu filho, voce deve ser o espelho. Mudar a alimentação de TODOS em casa. Não é fácil, mas não é impossível;

    Aqui em casa (depois de começar a ler o Comer para Crescer) muitas coisas mudaram: Nuggets, sucos em pó, refri, sazon e knor, miojo, comida congelada, salsicha, DelValle, bolacha recheada e tudo que é pre-fabricado sumiram da minha dispensa… aos poucos…

    O Comer para Crescer está sempre divulgando opções legais para mandar na lancheira!

    Abraços,

  7. Camila Oliveira disse:

    Não acho que seja invisível não, pelo menos na minha casa não é.
    Tenho um filho de 13 meses que desde os 6 me faz me preocupar bastante com o ganho de peso exagerado. Já esteve no percentil 97, passou pro 95 e hoje está no 90, com 12 kg e 78 cm. É um meninão grande, lindo, perfeito mas sei que está acima do peso.
    Solução? Aos poucos incutir nele a importãncia de comer bem e saudável, frutas no lugar de doces, verduras e carnes no lugar de pães e bolos, água sempre (não conhece refrigerantes). E assim vamos, devagar e sempre, como acho que deve ser.

  8. Sheila disse:

    Minha filha de 7 anos,esta perto de ficar acima do peso. Então eu estou atenta,cortei todas as guloseimas q eram diárias,ela come bem salada e legumes,refrigerante só no fim de semana.Mas minha duvida é, será q estou fazendo certo? Tirando tudo que criança adora não é cruel?? Quase não compro doces. E tbm tenho dificuldade com o lanchinho da escola,pq lá é apresentado todas as porcarias q criança come e ela não pode.

    1. Comer para Crescer disse:

      Oi, Sheila.
      Pois é. A sua dúvida é muito boa: será que não é crueldade proibir as crianças de comerem o que gostam. Mas pensando pelo lado da saúde: será que essas comidas fazem bem à saúde ou são comidas que adoecem as crianças? será que não é possível transformar o saudável no adorável, delicioso e desejável? Por que as crianças adoram balas cheias de açúcar, corantes etc e não adoram legumes? Será que nós pais não estamos fazendo a propaganda certa do que comer?
      patricia

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