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A indústria alimentícia e o sal

Categoria: Dicas, Notícias por 12 de setembro de 2012

Reproduzo abaixo um excelente editorial do Estadão explicando porque a relação entre o sal e a indústria alimentícia é tão complicada. E o quanto a gente paga por isso. Boa leitura!

beijos

Mônica

Uma pintada de bom senso

 

O Estado de S.Paulo

O Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) firmaram acordo fixando metas para a redução, até 2015, da quantidade de sódio presente em caldos, temperos, margarinas vegetais e cereais matinais. Trata-se do terceiro de uma série de compromissos voluntários assumidos pelas indústrias para combater esse que é um dos grandes vilões da dieta do brasileiro, feita basicamente de alimentos processados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um limite de 5 gramas diárias para o consumo de sódio. No Brasil, no entanto, dados do IBGE mostram que são consumidas 12 gramas em média, o que talvez explique por que um em cada quatro brasileiros sofre de hipertensão, mal responsável por doenças cardiovasculares, além de estar relacionado à insuficiência renal crônica. A comparação dos alimentos fabricados no Brasil com os feitos no exterior ilustra bem o tamanho desse problema. Como mostrou o Estado (29/8), cada 100 gramas de macarrão brasileiro, antes do acordo do governo com as indústrias, tinha entre 2 mil e 4 mil miligramas de sódio, contra uma média de 926 miligramas para igual quantidade de massa produzida no Canadá.

O sódio é uma espécie de inimigo oculto. Uma pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia mostrou que, dos 1.294 hipertensos entrevistados, 93% não sabiam que o sódio descrito nas embalagens se refere ao sal. Além disso, o sódio não aparece somente em produtos salgados, mas em adoçantes, fermentos e conservantes. Ele está presente ainda em realçadores de sabor, que são descritos nos rótulos como glutamato monossódico.

Estudos médicos apontam que a redução do sal na dieta é tão importante para o combate a doenças cardiovasculares quanto parar de fumar e controlar os níveis de colesterol e o peso. Segundo o Ministério da Saúde, se os brasileiros seguirem a recomendação da OMS, poderá haver diminuição de até 15% no número de mortes por acidente vascular cerebral e de até 10% no de mortes por enfarte. Além disso, 1,5 milhão de brasileiros não precisariam mais tomar remédios contra hipertensão.

No entanto, o cronograma para que o acordo com as indústrias se estenda a todos os 13 principais grupos de alimentos, fixado em 2011, está atrasado. Esses limites já deveriam ter sido estabelecidos, mas ainda restam três classes importantes – laticínios, embutidos e alimentos prontos – cujo prazo para a definição de metas ainda não foi formalizado. Um dos motivos da demora é que as mudanças dependem de adaptações tecnológicas dispendiosas. A associação das indústrias informou que uma parte dos R$ 12 bilhões investidos pelo setor em 2011 para melhorar sua produção foi destinada à redução do sódio. Por outro lado, o grande problema da indústria de alimentos nesse caso é que o sódio interfere no sabor e atua como conservante. Ademais, o sal é o ingrediente mais barato depois da água – logo, substituí-lo por alguma outra fórmula significa despesas adicionais e encarecimento do produto final.

O governo e as indústrias, no entanto, estão confiantes de que as medidas tornarão o Brasil um exemplo mundial no trato da questão, antecipando-se a futuras diretrizes da OMS. “O modelo de adesão voluntária, com monitoramento das vigilâncias, pode vir a ser o recomendado pela OMS”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Para especialistas, porém, as metas deveriam ser bem mais ambiciosas. Anita Sachs, professora de Nutrição da Universidade Federal de São Paulo, explica que o limite fixado para os cereais matinais, por exemplo, deveria ser de 418 miligramas de sódio para cada 150 gramas de produto, e não para cada 100 gramas, como ficou convencionado. Já o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor considera que a meta estabelecida para o macarrão instantâneo equivale ao total do consumo diário recomendado para adultos – isto é, basta um prato desses para inviabilizar qualquer dieta. Logo, embora seja uma iniciativa louvável ante a urgência do problema, o acordo entre o governo e as indústrias de alimento só pode ser festejado como um modesto início.


Comentários

  1. Barbara disse:

    Eu moro na Inglaterra e agora sempre que vou ao Brasil percebo como as comidas sao muito mais salgadas ai do que aqui. Eh engracado, porque eu nunca percebi como se comia sal no Brasil ate escrever uma materia sobre o assunto e descobrir que o brasileiro, em media, consome sodio para caramba!

  2. Mônica disse:

    e quanto mais gente houver (viva sem problemas como os citados nas reportagens), mais consumidores existirão para as indústrias!!! acredito que é um custo/benefício que não está sendo levado em conta pela indústria!