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Pais separados e alimentação dos filhos

Categoria: Comportamento, Entrevistas por 14 de novembro de 2012

Quem pensa que administrar a hora das refeições exige criatividade, não imagina o quão conflitante ela pode se tornar quando os pais são separados. Somar ideologias distintas quando não existe uma convivência não é para qualquer um. Adultos precisam ser… adultos. Algo muitas vezes difícil.

Para ajudar quem está nessa situação, entrevistamos a especialista Roberta Palermo, craque no assunto e autora do livro  recém lançado Ex-marido, pai presente – Dicas para não cair na armadilha da alienação parental (Ed. Summus) – ela também já escreveu Madrasta-quando o homem da sua vida já tem filhos, 100% Madrasta – Quebrando as barreiras do preconceito, Babá/Mãe manual de instruções. E se você quiser saber mais e trocar opiniões sobre o assunto, visite o Fórum para pais, mães e madrastas.

1) Quando os pais se separam as crianças acabam muitas vezes, envolvidas em dois tipos de educação. No caso da alimentação, quando os adultos pensam de forma diferente, qual a melhor maneira de resolver a questão? 

Há pais que apesar de não terem a guarda compartilhada se entendem no dia a dia sobre as questões da criança. Quando a guarda é compartilhada, supomos que os pais se alinham muito bem, mas mesmo assim pode aparecer um assunto que os surpreenda na hora de tomarem decisões conjuntas. Se aparecer uma situação problema que envolva a alimentação o ideal seria que decidissem juntos o melhor a ser feito. Poderiam inclusive comparecer juntos ao especialista para receberem a orientação e falarem as possibilidades e dificuldades de cada casa, cada rotina.

2) Existe o risco de um dos dois acabar fazendo o papel do bonzinho, o que leva em fast foods e libera todos os doces?

Normalmente, a guarda da criança é da mãe e o pai convive com ela em finais de semanas alternados e um dia da semana. A mãe acaba mais envolvida no problema e muitas vezes se chateia, pois o pai deixa para ela a responsabilidade da comida saudável e para ele fica liberado, por ser final de semana. Há, porém, casos em que o pai não aprova a alimentação que a mãe oferece e não pode interferir na dinâmica da casa dela. Se o ex-casal se entende, precisa chegar a um acordo. Se não se entendem e um dos dois percebe que o descuido está prejudicando a criança, deve procurar uma mediação familiar para falar sobre o problema ou ainda recorrer a um processo nos casos mais sérios, que envolvam disturbios alimentares.
3) A interferência benéfica de um, mesmo levando em conta a convivência menor, pode combater a interferência maléfica do outro?

Tudo depende da intensidade, pois não dá pra lutar contra alimentos calóricos e inadequados se não há um equilíbrio. O bom senso deve ser levado em conta. Se a mãe sabe que no final de semana o pai não vai se preocupar com as refeições, pode caprichar mais durante a semana, sem ter medo de se tornar a vilã e o mesmo vale para o pai. Vale lembrar ainda que há crianças que fazem refeições na escola e por mais que os pais acreditem que sirvam alimentos saudáveis, precisam acompanhar o cardápio de perto.
4) Em casos extremos o único jeito é levar na justiça? Como eles costumam tratar essas questões, pensando que nem sempre as pessoas levam a sério as questões sobre alimentação?

Antes de ir à justiça, vale sempre a pena tentar uma mediação familiar que pode conscientizar os pais. Pai e mãe, juntos, em uma consulta ao nutricionista/endocrinologista pode ser uma boa ideia também, antes de partir para um processo desgastante. Mas depois de ter tentado tudo, o ente mais consciente não pode lavar as mãos se perceber que a criança precisa de tratamento e deve sim contratar um advogado para levar o processo para o juiz avaliar

5) Existem casos com final feliz?

Não conheço nenhum caso que deu certo porque os pais se entenderam, mas porque o tempo foi passando e os ajustes foram se encaixando. Tenho um em andamento. Uma criança de 5 anos que toma mais de 6 mamadeiras por dia e a menina está fora do peso. A mãe não aceita nenhuma intervenção do pai e estão em pé de guerra. Ele está no consultório comigo, mas a mãe não aceita ir à consulta de jeito nenhum. (são separados). Quando a menina está com ele, ele não dá as mamadeiras. Estou trabalhando pelas bordas. Ela não colocou a menina na escola, o que seria menos tempo em casa e com mamadeiras. Ela aceitou a natação que sugeri. Orientei para ele conversar com familiares dela que concordam com ele e estamos aguardando um resultado. Não é um caso de processo judicial, pois vejo avanços. O pediatra da mãe diz que a menina está “saudável”, mas acima do peso. O pediatra do pai dá sinais de alerta, mas nada tão terrível. Já trabalhei para o pai dar uma relaxada e fazer o certo na casa dele. E estamos indo.

 

beijos

Mônica

 

 

 


Comentários

  1. Tatti... disse:

    Excelente esse tema! Quando me separei senti vários medos com relação a maneira como #aos4 seria educado por nós, já que estávamos separados. Mas , o Gabriel teve sorte* : nós, os pais sempre procuramos ensinar a ela o que lhe faz bem. Tanto eu quando o pai, somos atentos ao que ele come, os horários, a higiene pós refeição,etc… :)