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Como enfrentar a birra na hora da comida

Categoria: Comportamento, Dicas por 11 de abril de 2014

 

Um dos meus blogs de culinária preferidos é o La Cucinetta. Acompanho Ana Elisa desde os tempos que ela ainda não era mãe. Hoje tem dois filhos. O mais velho tem 2 anos. Acompanho os posts desde o tempo que ela não enfrentava birra de filho, principalmente na hora de comer.

Aquarela da La CucinettaNa semana passada, Ana Elisa fez um delicioso post sobre o assunto: birra de filho na hora de comer. Tudo o que ela escreveu a gente também já disse aqui de um jeito ou de outro. Mas vou reproduzir alguns trechos porque é sempre bom a gente ler ou ouvir a mesma coisa mas de um jeito diferente. Uma hora o nosso cérebro registra a informação.

Vê só:

Thomas, que desde as papinhas come temperos fortes como curries e pimentas, não estranhou (a primeira vez que ela fez um prato com pegada indiana chamado Muttar Panneer para o filho). Comeu metade do prato com gosto, mas depois fez birra e não quis sobremesa. Simplesmente tirei o prato dele, lavei suas mãozinhas e deixei que saísse para brincar. Sem estresse.

O que me fez lembrar de quando ele fez birra a primeira vez. E como fiquei maluca com isso. O choro histérico (de mãe e filho), a comida no chão, a colher voando longe, e eu sem entender por que diabos meu filho recusava algo que até o dia anterior ele comera com gosto.

Isso passou.

Não a birra. O drama.

Birras existem e sempre vão existir. Um dia, é sono. Esse é fácil de reconhecer: não quer comer (nem mesmo a favorita e irrecusável banana), não quer beber água, no colo está ruim, no chão está pior. Chupeta e berço. Resolvido. Come um lanche reforçado quando acordar.

Noutro dia, é o dente. Qualquer comida que ofereça a menor resistência machuca. Irrita. Não quer comer, não quer colo e colocar no berço achando que é sono piora as coisas. Choro incessante. Pura histeria. Sofá e desenho. Distrai da dor. Resolvido. Mamãe faz um arrozinho com tomate, bem molinho, gostoso e fácil de comer, de jantar.

Num terceiro dia, é simplesmente falta de apetite. Porque adulto às vezes está sem fome, e olha para a comida e não quer nada. Tem dia em que ele comeu meio pãozinho a mais no café da manhã e na hora do almoço não tem fome. Brinca com o garfo, tira a comida do prato e coloca na bandeja do cadeirão, aperta nos dedos, bota de volta no prato. Comer, nada. Dois bocadinhos, se tudo isso. Ele se diverte, mas não come nada. Sem drama. Tira o prato, deixa a criança sair pra brincar. Lanchinho reforçado depois. Resolvido.

Às vezes, pelo meio da refeição, a birra vem. Brincadeira com a comida, garfo jogado no chão, prato virado ao contrário. Não é sono, não é dente, não é falta de apetite. É frustração. Frustração porque quer comer sozinho mas a mãe não está deixando, ou frustração porque quer comer sozinho mas suas habilidades ainda são parcas e dá muito trabalho colocar o arroz na colher e a colher na boca sem derrubar tudo pelo caminho. Nessa hora, pergunto: “posso ajudar?”, e tento pegar o garfo da mãozinha dele. Se ele deixar, ele come ainda boas garfadas com mamãe ajudando.

Ou, para distrair da brincadeira da comida, de fazer montanha com purê de batata, basta um copo d’água. E, saciada a sede, ele volta a comer.

Ninguém está morrendo de fome, ninguém está desnutrido, ninguém deixa de comer a coisa certa na hora certa. Mas, principalmente, ninguém está estressado: nem mãe nem criança.

Normalmente, a não ser que o atirador de garfos tenha feito muita porcaria com sua comida, simplesmente guardo o pratinho na geladeira e dou de novo no jantar. Quase sempre ele come aquilo que ele recusou no almoço. Principalmente se eu, espertalhona, jogar algumas uvas-passas no meio (que o bicho adora) para abrir-lhe o apetite.

Então deixo aqui essas duas dicas (a segunda você pode ler no blog dela, que é uma delícia de ler e de fazer as receitas, inclusive essa que ela indica). Claro, nem toda criança é igual. Mas birra de criança na hora de comer irrita qualquer mãe. Se você começou a lidar com isso pela primeira vez, a primeira dica: não estresse. Quanto mais irritada você ficar, mais a criança vai captar essa irritação e responder a ela. Não quer comer, não come. Come depois. Come amanhã. De modo geral, criança com fome come. A não ser que ela esteja incomodada com outra coisa (sono, dente, fralda cheia, etc…) ou que a comida seja difícil de ela comer (alface para quem não tem molares, por exemplo). Thomas detestava feijão quando menor, porque não conseguia triturar a casca do feijão e se engasgava. Hoje come qualquer tipo. Ainda não é fã de grão-de-bico, que é mais firme. Num dia ficou irritado por não conseguir comer milho. Na semana seguinte, andava por aí com a espiga na mão, metendo-lhe os dentinhos.

E sim, no dia seguinte, Thomas comeu todo o seu mutaar paneer.”

Viu. Muito mais simples do que parece, né? Mas a gente sabe que não é simples nem fácil. Mas é totalmente possível sem precisar recorrer a industrializados sempre.

Beijos e boa semana,
Patricia

 

PS: Além de escrever bem, cozinhar bem, Ana Elisa desenha super bem. A aquarela que ilustra esse post foi feito por ela e você encontra AQUI.


Comentários

  1. Caio Melo disse:

    Muito legal! Tanto o conteúdo quanto o jeito dela escrever. Vou visitar a blogueira-mãe-chef com certeza :) Valeu a dica!

  2. Sabrina disse:

    Amei….. tenho dois filhos e os dois fazem birra…. e olha que um tem 9 anos e o outro de 1 ano. O mais velho, sente dores na barriga e as vezes chega até a fazer ânsia… fizemos vários exames e nada… simplimente não quer comer. O problema que essa história que criança com fome come, com o meu filho mais velho não cola…. por ele passa o dia inteiro sem comer… O mais novo tem tudo haver com o texto… mas prometo não me estressar mais… Abraços e parabéns pelo blog…. Passarei sempre por aki.

  3. Heidi disse:

    Um texto bem oportuno para mães que batem de frente com a birra dos filhos. A calma no momento sempre é a melhor solução. Parabéns!

  4. Parece que li esse artigo na hora certinha, li ontem e neném resolveu fazer greve de fome hj. Acredito que são os dentinhos, pois ela está salivando muito e bem irritadinha, pecado. Que bom que li esse artigo e estou na calma… No almoço ela não quis almoço e pediu nana (banana), beleza, agora na janta também não quis, quis a nana de novo. Pode comer nana que faz bem a saúde e deixei minha preocupação de lado, pois ela fez greve outras vezes, geralmente qdo viajamos e fiquei super preocupada, ah, ela tem q comer, não vai crescer bem, blablabla, bom ler essas coisas e saber que tem que levar a vida na boa, inclusive na hora da refeição, pois assim como a neném eu hoje estou num dia que tbm não estou com vontade de comer algumas coisas…