Category : Alimentação de grávida

Quando engravidei do Miguel estava dez quilos acima do meu peso ideal (ou almejado), que eram 58 quilos. Ou seja, quando me descobri grávida pesava 68 quilos. Bateu um pânico de terminar a gestação perto dos 100 quilos, pois sabia que não iria conseguir controlar a fome e a vontade de comer pão. Na gestação do Samuel, 4 anos antes, sai dos 58 quilos e cheguei no parto com 72. Meu obstetra pegou no meu pé na reta para tentar me controlar. (Um a parte: Samuel nasceu de 36 semanas, portanto se a gestação fosse até as tradicionais 40 semanas, eu estaria ainda mais pesada).

Voltando… a história do peso na gestação é um assunto que me pegou de jeito. Fiquei insegura. Intranquila. Mesmo. E acho que pega a maioria das mães também. A grávida obesa, em particular, deve ficar de olho no que come durante os nove meses. Segundo a nutricionista  Karin Sedó Sarkis, nutricionista do Check-Up do Fleury Medicina e Saúde, a alimentação das gestantes obesas deve ser equilibrada, assim como a de toda gestante. Mas ela deve priorizar o consumo de frutas, verduras, lácteos, carboidratos integrais, leguminosas, carnes magras, além de consumir doces e gorduras com  moderação. “A água deve estar sempre presente.” Adorei essa dica da água. E deve ser água, água. Nada de água açucarada, suco acucarado. Água, água. E também não há desculpa para não ter uma garrafa na bolsa com a oferta de modelos de diversos tamanhos, que cabem em bolsa de qualquer tamanho.

A nutricionista também explicou que a grávida obesa não deve abusar do açúcar branco (refinado) presente em bolos, doces e até pães. “É importante fazer escolhas saudáveis. Caso queira consumir pão, dar preferência ao integral,e no caso dos bolos, optar pelos simples.” Os doces podem ser consumidos esporadicamente, caso não haja uma oputra doença associada como o diabetes, além da obesidade. “A orientação do profissional nutricionista é de grande valia nesta fase.”

Pois é, se eu tivesse sido encaminhada pelo meu médico para uma nutri durante a gestação teria saído do analfabetismo nutricional e me beneficiado. No final da gestação do Miguel, estava beirando os 80 quilos e com a coluna em frangalhos. Mesmo. De chorar de dor toda vez que precisava levantar da cadeira.

Lembrando desse meu histórico de dores horríveis nas costas por conta do excesso de peso, perguntei para a Karin quais problemas a grávida obesa pode ter se, durante a gestação, não controlar a alimentação. Segundo ela, além da já conhecida diabetes gestacional, podem surgir hipertensão, macrossomia fetal (feto com tamanho e peso maior que o normal para a idade gestacional), anormalidades congênitas, trabalho de parto prolongado e necessidade de parto cirúrgico. Quem tá a fim de pagar pra ver se algum desses problemas podem acontecer?

Pois é! Acho que na gestação não dá para viver (e comer) como se não houvesse amanhã. Tem de existir o amanhã para ter saúde e disposição (muita, aliás) para cuidar do recém-nascido, que vai virar bebê, criança, adolescente, adulto e etc.

Beijos e juízo,

Patricia

É importante ressaltar que não deve haver perda de peso nesta fase.

Grávida e anêmica?

Como pode, né? Tem tanto sangue circulando pelo corpo materno durante a gestação e ainda assim a gente fica anêmica. Pois é, isso acontece e com frequência.

A Karin Sedó Sarkis, nutricionista do Check-Up do Fleury Medicina e Saúde, explicou que, alguns pesquisadores acreditam que, apesar da absorção do ferro estar moderadamente aumentada durante a gestação, a quantidade de ferro obtida pela dieta, mesmo com a mobilização do ferro estocado, em geral é insuficiente para suprir a demanda imposta pela gestação, levando à anemia.

As carnes vermelhas, principalmente, são as mais indicadas para ajudar a combater (e prevenir) esse problema durante a gestação. Mas as leguminosas e os folhosos verdes escuros “também são fontes de ferro, sobretudo se ingeridos juntamente com frutas, principalmente as cítricas, fontes de vitamina C que favorecem a absorção do ferro”. Então, sempre que consumir, por exemplo, espinafre lembre-se de ter junto algo como acerola, laranja, limão, maracujá.

O dito popular indica que preparar a comida em panela de ferro também pode contribuir no aporte de ferro.

 

O consumo tanto da carne quanto das leguminosas e verdes devem ser diários, não tem jeito. Para não enjoar, legal é variar o cardápio.

Ostras também são fontes de ferro, mas aqui deve-se ter muuuuito cuidado com a origem. 

Os erros/equívocos mais comuns que a grávida com anemia comete mesmo sem saber e que pode prejudicar o tratamento contra a anemia, segundo a Karin,  é consumir alimentos lácteos como sobremesa nas principais refeições (pudim, iogurte, manjar, entre outros) ou ainda uma bebida láctea como acompanhamento, o que prejudica a absorção do ferro. Isso também acontece quando se ingere cafezinho ou chá e, claro, chocolate, capuccino, depois de uma refeição. Substâncias presentes nessas bebidas também interferem no aproveitamento do ferro..

Uma orientação importante da Karin é que o ferro presente nas carnes (chamado de heme) não sofre interferência dos lácteos, mas o ferro presente em outros alimentos como folhosos e leguminosas (chamado de não heme), este sim sofre interferência negativa do cálcio.

Então, melhor deixar para consumir alimentos lácteos ou à base de lácteos nos lanches e preferir as frutas como sobremesas ou doces à base de frutas, sem leite entre os ingredientes.

Troque a mousse de chocolate ou de limão por uma deliciosa maçã – ou uma compota da fruta.

beijos,

Patricia

 

A grávida e a Nutella

Eu fui uma grávida que abusei da alimentação na primeira gestação. Não foram poucos os copos de Nutella devorados às colheradas, como se fossem brigadeiro de colher. E confesso que não sabia direito o que podia e o que não podia comer. Tinha uma vaga ideia de que a alimentação tinha de ser saudável – algo que até aquele momento não era – e que eu teria de fazer alguns ajustes no cardápio – o que eu não fiz. Nem imaginava que haviam nutrientes necessários, essenciais e importantes que deveriam ser consumidos para ajudar na formação do feto. O preço dessa desinformação foi uma gestação com muitos quilos ganhos, quase nenhum perdido e um bebê lindo e saudável nos braços e, por sorte, nenhuma doença adquirida, como diabetes. Mas foi sorte, algo que não costumo contar.

A grávida hoje já tem mais sites e blogs com muita informação sobre alimentação e também médicos que orientam melhor (ufa!).

As gestantes também têm nós!!!! que conversamos com a Karin Sedó Sarkis, nutricionista do Check-Up do Fleury Medicina e Saúde, para tirar algumas dúvidas e buscar orientações. Se eu engravidar de novo (o que não está nos nossos planos mais longíquos, mas vai quê…) já sei como organizar o meu cardápio na gestação.

1) Hoje, a mulher quando engravida sabe que a alimentação deve ser balanceada, como, aliás, deve ser sempre, estando grávida ou não, mas na gestação o corpo feminino não está em seu estado “normal”, apesar de ser naturalmente preparado para a gestação. Quais são os nutrientes mais indicados para serem consumidos durante a gestação e em quais alimentos eles são encontrados?

Karin Sedó Sarkis: Durante a gestação é importante que a mulher tenha uma alimentação equilibrada. Todos os nutrientes são importantes, mas alguns merecem destaque, como o cálcio, o ferro, o ácido fólico, o zinco e as vitaminas A, C e D. Leia os rótulos dos alimentos, pois há os que são enriquecidos com estas vitaminas.

Veja quais são e onde encontrar:

O Cálcio: As melhores fontes alimentares são leite, iogurte, queijo, coalhada, alguns vegetais verdes (ex: brócolis, repolho), oleaginosas, gergelim

O Ferro: Nas carnes em geral (principalmente as vermelhas e as vísceras), leguminosas, algumas folhas verdes, mas o ferro presente nas fontes vegetais tem baixa biodisponibilidade.

O Folato: As melhores fontes são os folhosos escuros, leguminosas, oleaginosas, grãos integrais, se consumidas cruas, pois ocorrem perdas importantes durante sua cocção (cozimento).

O Zinco: Nos frutos do mar, aves, carnes, em leguminosas e grãos

A Vitamina A: As fontes de origem animal: queijo, manteiga, ovos, fígado e alimentos enriquecidos (ex: leite). As fontes de origem vegetal: vegetais folhosos (ex: espinafre, brócolis) e vegetais amarelos (abóbora, cenoura, damasco). Os alimentos de origem vegetal fornecem beta caroteno, isto é, a vitamina A pré-formada, que é um potente antioxidante.

A Vitamina C: Nas frutas em geral, principalmente as cítricas (ex: acerola, kiwi, mamão, laranja, caju, goiaba, morango etc) e as hortaliças (ex: repolho, brócolis, tomate, pimentão, etc). Os sucos devem ser consumidos logo após o preparo, assim evita-se a perda das vitaminas.

A Vitamina D: As melhores fontes são leite, gema de ovo, peixes como salmão, atum e sardinha, óleo de peixe e fígado. A exposição regular aos raios solares é essencial para a síntese cutânea de vitamina D. (15 minutos por dia já suficiente).

2) Existem alimentos que devem ser consumidos mais no primeiro trimestre, como as folhas verdes escuras? Por quais motivos?

Karin Sedó Sarkis: No primeiro trimestre de gestação ocorre a formação do tubo neural do embrião, que dará origem ao cérebro e à medula espinhal no feto. Dentre os possíveis fatores de risco para os defeitos do tubo neural – que podem resultar em danos medulares significativos e até mesmo anencefalia – está o consumo insuficiente de ácido fólico, que está presente nas folhas verdes escuras e em outros alimentos.

No Brasil, alguns alimentos são complementados com esse nutriente, no entanto, é possível que nem todas as mulheres consigam seguir a recomendação de uma alimentação equilibrada, com quantidade adequada de ácido fólico. Diante disto, faz-se necessário o uso do suplemento de ácido fólico por mulheres que planejam engravidar e durante o primeiro trimestre da gestação.

3) Há pouco tempo o jornal The New York Times publicou um longo artigo questionando se o açúcar, principalmente o branco, é ou não tóxico. Chegou à conclusão de que o açúcar não faz tão bem à gestação. A gestante, então, deve tentar se manter longe do açúcar branco e buscar outras fontes de energia sem açúcar branco? Por quê? Quais fontes alternativas são as mais indicadas para essa substituição?

Karin Sedó Sarkis: Na verdade, o artigo exprime a opinião de um pesquisador que, embasado em alguns estudos e no cenário de saúde mundial, chegou à conclusão de que tanto o açúcar quanto o xarope de milho, muito utilizado pelos americanos, teriam efeito tóxico. Infelizmente, não temos estudos conclusivos para confirmar esta teoria.

O consumo do açúcar em excesso ocasiona a redução da ingestão de importantes nutrientes, uma vez que a saciedade é atingida com “calorias vazias”, ou seja, alimentos muito calóricos, porém pouco nutritivos. É importante que a gestante tenha equilíbrio em sua alimentação. Caso utilize o açúcar, deve fazê-lo com moderação.

Algumas alternativas ao uso do açúcar branco (refinado) são: o açúcar demerara, açúcar mascavo, açúcar cristal, a frutose e o mel. Vale lembrar que, independente da opção, moderação é a palavra chave!

A gestante diabética deve optar por um edulcorante adequado para o seu estado fisiológico.Vale ressaltar que o acessulfame, a sucralose e a stevia, segundo as evidências atualmente disponíveis, podem ser utilizados de maneira segura por gestantes.

4) Muitas gestantes reclamam que os desconfortos do início (enjôos) e do final da gestação (azia) interferem no apetite, na vontade de comer. Muitas simplesmente não têm vontade de comer. Quais dicas você pode dar para as gestantes driblarem esses períodos e se manterem saudáveis?

Karin Sedó Sarkis: As náuseas e vômitos são frequentes no primeiro trimestre, e tendem a desaparecer a partir da décima terceira ou décima quarta semana de gestação. Para esses desconfortos as dicas são:
- Fracionar a dieta, isto é, aumentar o número e diminuir o volume das refeições;
- Consumir alimentos secos: os biscoitos salgados são uma boa opção;
- Evitar alimentos com alto teor de gordura, já que geralmente não são bem tolerados.

O ideal é que a gestante ingira os alimentos mais nutritivos nos períodos em que não apresente náuseas.

A azia é decorrente do refluxo gastroesofágico e é mais comum à noite. As dicas são:

- Fracionar a dieta, isto é, aumentar o número e diminuir o volume das refeições
- Comer devagar e mastigar bem os alimentos.
- Evitar estresse durante a refeição. Apreciar este momento.
- Evitar consumir líquidos durante as refeições, preferi fazê-lo nos intervalos.
- Não consumir grande quantidade de alimentos logo antes de se deitar.