A revolução do prato começa em casa.
O chef gato (gatinho!) inglês Jamie Oliver acredita nessa premissa. Eu também. E desde que vi a palestra do chef gato (gatíssimo) no TEDX abracei essa ideia aqui em casa. E tem dado certo. Eu e maridón cozinhamos. Ele faz pratos quentes e salgados melhor do eu. A minha praia são os doces, bolos, pudins, compotas.
E Miguel, o menino que tinha apetite de passarinho, era seletivo exagerado, tinha nojinho de qualquer pintinha da banana, nem encostava na carne (lembram o quanto eu lamentava sobre o paladar do meu pequeno?), hoje é um garoto que enche o prato de salada, come carne, qualquer carne (algumas mais do que outras), se arrisca em experimentar legumes na salada, mas os come na canja sem problemas.
Aqui em casa, a revolução do prato deu certo.
Deu trabalho? Nada excepcional. Basta querer, mesmo, de verdade, que flui.
Precisa de dedicação? Sim e muita organização no começo. Investi tempo pensando em cardápios coloridos, plantei temperos. Investimos dinheiro comprando livros de receita. O Panelinha, da Rita Lobo, para nós foi, de longe, o investimento mais acertado porque a Rita escreve e descreve as receitas de um jeito que nos deu confiança para seguir em frente e se arriscar mais na cozinha. Se você está sem grana no momento para comprar livros, visite os milhares de sites de receitas que existem, mas sugiro que comece pelo Panelinha.
Acho que também deu certo porque maridón se envolveu na minha causa. Enquanto ele não dava muita bola para a história de ensinar os meninos a comerem direito e de um jeito mais saudável, eu me desgastava mais porque estava sozinha. A coisa de educar o paladar dos filhos passou a fazer sentido para maridón quando ele viu que nem sempre a dedicação no fogão é sinônimo de aplausos na mesa. É preciso dedicação diária, comer junto, fazer junto, respeitar o paladar, mas experimentar novidades na frente das crianças.
Passados dois anos, o saldo é positivo. Tenho orgulho da nossa revolução. Mas há um longo caminho a ser percorrido, pois somos uma família de paladar básico. Não comemos jiló nem rabanete, por exemplo. Mas já saímos da pré-história alimentar. Aspargos frescos e temperos variados fazem parte do nosso cardápio cotidiano.
A jornada está longe do fim também porque agora temos um pré-adolescente com a genética do Fred Flinkstone em casa. O garoto é daqueles que ama filé de brontossauro e passou a rejeitar todo e qualquer legume e verdura. E, aí, minha amiga, o “approuch” alimentar com meninos dessa idade é completamente diferente daquele que se faz com as crianças pequenas.
Nossa #foodrevolution continua. Temos de endurecer, mas sem perder a ternura, jamais!
beijos,
Patricia

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10/mai/2012
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