Notícias de duas pesquisas sobre a relação entre alimento e doenças me chamaram a atenção para um fato: quando foi que comida passou a ser sinônimo de doença? Comida sempre foi, para mim, o sustento do corpo, e, se der, da alma também. Bom, sustentando o sujeito, mantendo a criatura em pé, falando e pensando, já está ótemo!
Dois estudos de revisão da prestigiosa Escola de Saúde Pública de Harvard indicam que tanto o consumo do arroz branco quanto o da carne vermelha aumentam o risco do surgimento de doenças graves, tais como diabetes tipo 2 (para o arroz branco) e mortes prematuras de câncer, infarto (no caso de consumo de carne vermelha).
Ai que preguiça, gente!
Levo muito a sério pesquisadores em geral e os de Harvard, em particular. Mas, ai que preguiça, minha gente!
Ao ler a notícia sobre a carne vermelha, lembrei dos meus avós e do único bisavó que conheci. Meus avós morreram de câncer com mais de 93 anos. Não dá para dizer que foi uma morte prematura. Ambos já estavam fazendo hora extra na Terra. E ambos passaram pelos menos 90 anos comendo carne vermelha e arroz branco todos os dias.
Nenhum dos dois teve diabetes. Meu avó Claudio, pai do meu pai, não comia outra coisa senão arroz com feijão, bife e salada. Almoço e jantar. 365 dias no ano. Variava com uma canja e só. No dia que tinha macarrão, tinha também o PF. No dia que tinha ovo frito, tinha PF.
O pai da minha mãe, Sebastião, variava um pouco mais o cardápio: comia bife de fígado e frango frito, além de sardinha escabeche.
Meu bisavó também foi um carnívoro de primeira linha. Morreu aos 105 anos. Nem sei bem do quê, mas não foi câncer nem de diabetes. Acho que foi de morte morrida mesmo.
Quem vai ter coragem de tirar o arroz nosso de cada dia? Da papinha do bebê? O arroz é cereal mais consumido no mundo. É fonte de carboidrato (que dá uma energia de qualidade para as crianças) e par perfeito do feijão. Se for integral, melhor. Porém, como mais da metade da população do mundo, incluindo a brasileira, não tem renda suficiente para comprar arroz integral, que se mantenha o sustento com o arroz branco mesmo.
Além do que, arroz combina com praticamente tudo. Menos com macarrão, por favor!
Assim como a carne vermelha, que combina com tudo, até com macarrão. Sobre os benefícios dela na saúde infantil, eu já escrevi em algum post. Defendo a oferta dessa proteína aos bebês e crianças, mesmo que pouca, pois é comprovadamente a mais importante fonte de ferro heme (que é facilmente absorvido pelo organismo) na alimentação infantil. E isso não é pouca coisa num país que tem altos índice de anemia ferropriva na infância (também já escrevi sobre esse tema).
Como já dei muitas receitas com carne vermelha, fica abaixo a de bolinho de arroz que eu finalmente consegui fazer (é o da foto que ilustra o início do post). Nem preciso dizer que nesta casa, bolinho de arroz é frito, ok? (Assim como na casa da Rita Lobo e na do Leandro “Cozinha Pequena”.
Mas tentarei a opção assado. Um dia, quem sabe!
Beijos,
Patricia
Bolinho de arroz (base da receita do Panelinha)
2 xícaras de chá de arroz cozido temperatura ambiente (o de casa tinha cenoura e espinafre e deu certo)
2 ovos em temperatura ambiente
1 xícara de chá farinha de trigo
1 xícara de chá farinha de rosca
5 colheres de sopa de queijo ralado (se for parmesão de verdade, melhor. Fiz com o de saquinho e deu muito certo!)
Um monte de óleo para fritar
Modo de fazer
Coloque o óleo para esquentar em uma frigideira.
Lave as mãos, claro!
Misture todos os ingredientes menos o óleo. Amasse bem até ficar compacto. Faça bolinhas pequenas (porque a boca das crianças é do tamanho Mini). Frite em óleo master de quente (faça o teste do palito de fósforo – jogue um na panela e se pegar fogo está na temperatura está correta). Sirva em seguida com muito tomate, cenoura, pepino…
Comidinha para comer com as mãos, algo que as crianças amam. Se quiser pode incrementar, recheando o bolinho com tomatinhos ou queijo branco ou brie. Yummy Yummy!
Quase não consegui fotografar porque o Miguel amou! Fica firme por fora e macio por dentro.
Beijos de novo.

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26/mar/2012


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