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VALE A PENA LER DE NOVO: Comida com carinho

Vocês já ouviram falar do movimento gastronômico Comfort Food? A Simone falou sobre ele em um comentário aqui, fui pesquisar e… olha que delícia: esqueça todas as restrições que estamos acostumados, o receio de obesidade, colesterol, excessos de qualquer coisa. Não há compromisso em ser saudável, apenas gostosa. No comfort food, o objetivo é sentir prazer! E degustar comidinhas que oferecem conforto, aconchego, evocam lembranças da infância ou de lugares, épocas e pessoas queridas.

Os pratos geralmente são elaborados a partir de receitas simples, preparadas com ingredientes naturais. Mesmo com esse ar caseiro, a tendência já chegou aos restaurantes badalados do mundo todo que adaptaram seus cardápios para oferecer opções dentro dessa ideologia. Cada cultura parece ter escolhido o seu prato. No Brasil, por exemplo, o arroz com feijão, bife e batata frita é considerado um prato com esse perfil.

Mas de fato, cada pessoa tem as suas comfort foods, dependendo das preferências culinárias e memórias vinculadas a elas. Uma das minhas, com certeza, é o café com leite e muuuuito açúcar, igual ao que o meu pai preparava para mim, combinado com bolo feito na hora. A da Isabella, minha filha, provavelmente será o pão com nozes e ervas que faz com o pai quase todos os domingos.

Lógico que temos de cuidar da nossa alimentação, mas, porque não escapulir às vezes e relembrar aquela infância cheia de açúcar, manteiga e excessos que a gente teve? Para sentir um pouco o gostinho, aí vai a receita de outra comfort food minha: o Espera Marido que minha tia Nica preparava quase todas as tardes para a família comer. Encontrei uma receita igualzinha no Mais Você. E a foto é do Pela Vida na Arte que tem outra versão com coco.

Espera Marido

6 ovos
1 xícara (chá) de leite
1 xícara (chá) de açúcar
1/2 colher (sopa) de fermento
6 cascas de ovo de óleo
Farinha quanto necessário para enrolar os bolinhos (1
quilo)

Calda:
4 copos de açúcar
2 copos de água
1 colher de sopa baunilha

Dissolva o fermento no leite, junte os demais ingredientes, faça
as rosquinhas e deixe descansar em forma untada com óleo por 1
hora. Frite e coloque imediatamente na calda fervendo.
Acondicione em tigelas ou potes.

Um beijo da Mônica

P.S. Conte para a gente (com receita!) qual seria as suas comfort foods!

Mais ou menos nessa época do ano, em 2010, escrevi o post abaixo. Lembro de ter esquecido de colocar as fotos. Recupero o post, com as imagens, como sugestão de prato para esses dias preguiçosos e aproveito para contar que esse macarrão se transformou no macarrão predileto dos meninos, mesmo com pimenta.

 

Depois de uma cansativa insistência, maridón finalmente atendeu aos meus apelos e mandou a receita do macarrão à carbonara, além de um singelo depoimento sobre a experiência de cozinhar a pasta acompanhado dos meninos. Eu amei o texto porque tem o humor masculino pelo qual me apaixonei há 17 anos (agora já são 18 anos).

Boa leitura e boa pasta!

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Saber cozinhar sempre foi um desejo meu, embora eu tenha mais destreza para virar as páginas de um romance de Dostoiévski do que para acertar o sal do macarrão. Os meus 42 anos, porém, indicam que fui criado ainda no modelo familiar tradicional, e nunca vi meu pai de avental de cozinha, a não ser no carnaval, depois de umas cervejas. Por isso, não tive, na minha infância, um modelo de prestígio para imitar no ato de cozinhar, como supunha a antropologia de Marcel Mauss – que, por ser francês, devia saber cozinhar bem pra burro. Era minha mãe que sempre cozinhava, e nunca deixava ninguém nem chegar perto para ver como fazer. (Trata-se de um traço persistente: já no Brasil colonial, diz Gilberto Freyre, as mulheres formavam uma “maçonaria” que passava as receitas de mãe para filha, quase aos sussurros, para ninguém mais ouvir.) 

Por outro lado, sempre admirei a combinação de ingredientes para chegar a um desses pratos deliciosos que nos fazem enfrentar o trânsito, as filas de espera e os preços absurdos para jantar fora. Isso não é acaso ou ciência. A culinária conta uma história apaixonante, que une sabores, paladares e costumes. Sentir a boca encher de água diante de uma feijoada bonita não é somente sinal de fome, é resultado fisiológico de admiração por uma cultura. Talvez seja por isso que eu ainda esteja adiando minha entrada definitiva no mundo da cozinha. Não sei se tenho preparo intelectual para cozinhar – e preparo intelectual, aqui, deve ser entendido como a capacidade de compreender instintivamente os ingredientes em si, a relação entre eles e deles como nossos desejos gustativos, atuais e ancestrais. Limito-me, como a maioria dos homens, ao trivial macarrão-ovo-pipoca.

No entanto, dia desses, deparei-me com uma receita de macarrão à Carbonara, no site do New York Times. A foto da receita, com uma lingüiça italiana e um pedaço de queijo pecorino, era irresistível. Como sempre faço quando vejo algo bacana, mandei para a Patricia, essa santa que casou comigo. Ela sugeriu, então, que eu mesmo fizesse o macarrão – como eu nunca havia ido além do alho-e-óleo ou do molho de tomate, achei que era demais para mim. Mas li a receita e concluí que, sim, eu podia. Patricia, porém, não se contenta com pouco. Além de me pedir que cozinhasse, ela sugeriu que eu convidasse Samuel e Miguel, nossos filhos pequenos, para participar.

Era a soma de todos os medos. Três homens na cozinha, sendo que dois deles tinham menos de dez anos de idade, era desafiar demais as tradições patriarcais da sociedade brasileira. Fiquei esperando que o raio de reprovação de Deus-macho rachasse nossas cabeças por ocupar o lugar que deveria ser de uma mulher. Nada disso aconteceu, porém. Eu e os meninos fizemos a receita com destreza inaudita – evidentemente, houve alguns contratempos, como quando pedi para Miguel triturar a carne da lingüiça, e ele fez cara de nojo, ou quando pedi para Samuel colocar a pimenta, e ele fez cara de pânico.

Quando o prato foi à mesa, comemos, eu e Patricia, como se fosse a última Coca-Cola gelada do deserto. Já os meninos… Bem, mesmo com o evidente orgulho deles pelo conjunto da obra, o fato de termos apimentado a massa não foi bem aceito pelos nossos pequenos gourmets. Apesar disso, tenho certeza de que a experiência de terem cozinhado junto com o pai não será esquecida.

Eu não vou esquecer.

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Segue a receita:

Spaghetti Alla Carbonara com Linguiça
Tempo: 45 minutos

½ quilo de linguiça italiana doce (sweet Italian sausage)

1 colher de sopa de azeite extra virgem

1 colher de sopa de manteiga sem sal

1 cebola média cortada em fatias finas

1 e ½ colher de pimenta do reino

2 folhas de louro

½ xícara de vinho branco seco

1 quilo de espaguete com sal

3 ovos grandes

¼ de xícara de queijo pecorino romano

Preparo:

1. Remova as tripas da lingüiça. Usando uma faca, um garfo ou as mãos, corte a carne em pedaços pequenos. Aqueça o azeite e a manteiga em uma frigideira grande. Adicione a cebola e cozinhe em fogo médio/baixo até ficar transparente.

2. Adicione a linguiça e triturá-la uma colher de pau até que ela esteja uniforme e perca sua coloração rosa. Misture a pimenta e as folhas de louro. Adicione o vinho e cozinhe até que tenha quase evaporado, cerca de 2 minutos. Retire a frigideira do fogo e descarte as folhas de louro. Tempere a carne com sal a gosto.

3. Leve uma panela grande de água salgada para ferver. Cozinhe o espaguete até ficar al dente, 6-7 minutos. Enquanto isso, encha uma tigela grande com água quente ou morna em forno baixo. Bata levemente os ovos em um prato pequeno. Pouco antes de macarrão ficar pronto, retorne a frigideira com linguiça ao fogo baixo. Quando o macarrão estiver pronto, lentamente bata aproximadamente uma colher de água do macarrão com ovos. Em seguida, escorra a massa.

4. Transfira a linguiça para uma travessa. Despeje o espaguete e misture com a linguiça, lentamente adicionando os ovos batidos. Adicione sal a gosto e o pecorino.

Rendimento: 4-6 porções.

Por que as crianças não comem? (atualizado)

Bem, não comem por uma série de motivos, entre eles porque não têm fome, porque desejam brincar. Mas será que não comem porque desejam infernizar a vida do pai? Fiquei com essa pulguinha pulando atrás da orelha depois de ler as aventuras de Renato “Diário Grávido” Kaufmann em… “Lúcia, o pequno saci”. Se não leu sobre o que ela aprontou antes de comer, tá aqui. Divirta-se. É de chorar de rir e também de se desesperar com o cenário final da aventura.

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A Simone, nossa visitante, deixou uma simpática colaboração aqui no blog. Uma receita de um bolo nutritivo. Ele é tudodebom! Já fiz e é realmente delicioso.

Seguem abaixo os passos da feitura do cake até a fatia chegar à boca dos pequenos.

Bolo nutritivo de banana e aveia

Ingredientes:

3 bananas maduras (prata ou outra)
2 ovos
1/2 xíc. de óleo canola ou de girassol
1 xíc. de farinha de aveia em flocos ou em farelo (Simone prefere em farelo)
1 xíc. açúcar mascavo (não coloque o branco, não, avisa Simone, pois o bolo tem de ficar bem moreninho)
1/2 xíc. de castanha-do-pará (rica em selênio) ou outra castanha que preferir, triturada. Triture um pouco a mais para usar um pouco para untar a forma.
1 colher de sopa de fermento em pó
Um punhado de uvas passas (opcional)

Modo de preparo:
1. Bata no liquidificador as bananas, os ovos e o óleo.
2. Continue batendo e adicione a farinha de aveia, o açúcar mascavo e as castanhas do pará.
3. Por fim, adicione o fermento em pó.
4. Incorpore as uvas passas.
5. Unte uma forma de buraco no meio com manteiga ou margarina e polvilhe com castanhas-do-pará trituradas.
6. Leve ao forno pre-aquecido a 200 graus C. (A Simone estima em cerca de 30 minutos e avisa: “Como este é um bolo úmido, o teste do palito na massa saindo seco não se aplica”. Vai no olho mesmo e no cheirinho. Se sentir o de queimado, corre e tira o bolo do forno).

Simone finaliza com um recado fofo: “Esse é o bolo preferido das minhas filhas. Elas fazem muitas atividades físicas e precisam de algo nutritivo para compensar. Esse bolo é nutritivo e gostoso). É verdade.

beijos,

Patricia

Ingrediente versátil – 2

Como prometido, publico uma receita com carne moída que os meninos adoram. Na verdade estou recuperando um post publicado em novembro de 2009. Afinal, recordar é viver.
beijos,
Patricia
O livro de receitas que mais faz sucesso entre os garotinhos dessa casa é o Receitas de Herói (Editora Melhoramentos), com pratos elaborados pelo chef Allan Vila Espejo, pai de quatro filhos. São práticas, rápidas, saborosas e dão cara nova a ingredientes comuns. Tem a Omelete do Zezé, o filho caçula da Família Incrível, as Minipizzas do Flecha Incrível, ou o Peixe Especial, do Alladin. Tem ainda receitas de macarrão, tortas, lanches e sobremesas. E receitas dos vilões malvadões.

Os meninos adoram também o Quibinhos do Gênio, do Alladin.

 

Ingredientes:
3 colheres de sopa de trigo para quibe
folhas de hortelã
1 dente de alho
1/2 quilo de carne moída (patinho, coxão mole)
sal, pimenta do reino
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de azeite
1 limão

Modo de fazer
Deixe o trigo de molho em água por 3 horas. Escorra a água e misture a carne e o trigo. Junte a hortelã, o sal, a pimenta e o alho. Faça uma mistura bem homogênea e molde pequenos quibes. Aqueça a manteiga e o azeite e frite os quibes em fogo brando. Para finalizar, coloque gotas de limão, tampe a frigideira e frite por alguns segundos. (Não costumo fritar os quibinhos nem acrescentar o limão no final. Prefiro assá-los no forno. Unto uma forma com azeite, cubro a forma com papel alumínio. Quando estão assados, retiro o papel e deixo dourar).

Fica delicioso, saudável, parece bolinhos de carne, mas com um gostinho diferente. Os meninos nem reparem no trigo em meio à carne.

O livro está à venda no site da Editora Melhoramentos por R$ 59, sem taxa de entrega. A opção mais conta está no Estante Virtual, com preços que variam de R$ 10 a R$ 20, sem taxa de entrega.

Você nem precisa se vestir deMulher Maravilha para enfrentar o fogão de tão fáceis que são as receitas do livro, mas leve os pequenos heróis para a cozinha, afinal eles têm de ajudar na tarefa de preparar um prato gostoso para se alimentar bem e poder salvar o planeta.

beijos da Pati

PS: O chef Allan Espejo também elaborou o Receitas de Princesas para agradar o paladar das nobres meninas.

Uma nutricionista em minha casa

Como nem só de bronca vivemos nessa vida tirana, recuperei um post que publicamos em 16/12/2009 para inspirar mães e pais que desejam mudar os hábitos alimentares da família, mas não sabem muito bem por onde começar.

 

A Andréa Barros (que está aqui acima com a Luiza e a Helena) é uma querida amiga de longa data, daquelas que vê a vida com um olhar prático e uma boa pitada de romantismo. Inteligente e bem-humorada, sempre gostei de falar com ela sobre política, sobre os rumos do Brasil. Mas quando os filhos nascem, a maternidade vira assunto primordial e exige de nós habilidades em áreas que pouco exploramos. Como a maioria das mães dessa geração (acredito!), a destreza da Andréa em discorrer sobre políticas públicas, corrupção e banditismo é inversamente proporcional à pouca destreza com que ela pilota forno e no fogão e cardápio. Prática, ela decidiu parar de sofrer e tomou uma decisão superbacana: pediu uma ajuda especializada. Mônica e eu pedimos a Andrea que compartilhasse aqui no blog a experiência de melhorar a alimentação da família e de quebra das meninas.

Boa leitura a todos!

Patrícia

Crédito das fotos: Ernesto Bernardes

Ovo com bacon e brigadeiro de colher

No começo de 2009 eu me mudei com marido, duas filhas, duas cachorras, um monte de brinquedos, alguns móveis herdados, lembranças preciosas e muitas tralhas para minha casa nova. Uma casa grande, linda, melhor do que eu jamais poderia ter sonhado. A cozinha, aberta para a sala, foi inteiramente reformada, é planejada e tem todos os eletrodomésticos tinindo de novos. Nem assim. Minha intimidade com as panelas continua sendo nula. Faz 39 anos que isso acontece. Pra ser honesta, até que eu deixasse a casa dos meus pais, com 21 anos, cozinhar nunca me fez falta. E ainda pra ser sincera, mesmo depois que perdi a “boquinha” da casa da minha mãe, rapidamente aprendi a me virar comprando comidas prontas no supermercado ou enchendo a agenda com telefones de delivery de todos os tipos. Foi nessa época que aprendi a fritar ovo – com bacon, claro! E a fazer macarrão na manteiga e brigadeiro de colher. Depois de jogar no lixo algumas dúzias de ovos consegui acertar a receita de bombocado no liquidificador – que carrego até hoje num caderno de receitas de família encampado com corações vermelhos.

Papinha congelada

Quando a Luiza, minha filha mais velha nasceu, 11 anos atrás, isso era tudo o que eu sabia fazer na cozinha. Um pouco em pânico com o que o futuro me reservava, resolvi meu problema da seguinte maneira: encarreguei a babá de fazer a papinha. Minha parte no combinado era trazer as receitas, impressas pelo pediatra, e providenciar os ingredientes. A dela incluía deixar potinhos de papinha pronta no freezer para garantir os nossos finais de semana. Era o que eu podia fazer de melhor pela minha filha. E confesso que deu certo por um bom tempo. Mas um dia, o pediatra avisou: chegou a hora de dar comida de verdade. Lá fui eu para a feira e para a agência de empregadas. De lá para cá, contratei cozinheiras que deixavam a comida pronta no freezer e várias empregadas que se encarregavam da alimentação da minha família. Tive mais uma filha, a Helena, hoje com 5 anos. Meu marido aprendeu a cozinhar, o que nos garantiu uma série de novidades e boas refeições familiares nos finais de semana. As meninas cresceram fortes e saudáveis.

Tudo ia como sempre foi, até que no começo do ano decidi que precisava trocar o padrão de alimentação da família. Mudar de casa foi uma inspiração para reorganizar todos os assuntos pendentes. Alimentação sempre foi uma caixa de mistérios e uma sombra na minha lista de afazeres diários. Eu sabia que ela podia, e devia, ser melhor.

Mudança de patamar

Helena (ainda) come bem, mas a Luiza é bem mais difícil. Não gosta de arroz e feijão e sua dieta é completamente Atkins: carne, frango ou peixe e salada. O que acontece é que, embora tenha os nutrientes, sai da mesa com fome (faltam o arroz e o feijão) e aí logo quer comer porcarias. O pediatra das meninas me indicou uma nutricionista, a Maria Cristina Morales. Ela faz um trabalho diferenciado. Veio na minha casa, conversou com as meninas, especialmente com a Luiza, anotou as preferências dela, pesou, mediu, e explicou sobre a importância de uma alimentação equilibrada. Quinze dias depois, voltou com duas pastas. Cardápio para um mês e receitas variadas, com direito a picolés, pipoca, cookies e outras coisinhas que as meninas adoram. As receitas são fáceis e rápidas de fazer. Cris também preparou a lista de compras por semana e ensinou a empregada a limpar e guardar os alimentos na geladeira. Resultado: mudamos de patamar! Luiza está se esforçando. Hoje come arroz integral (continua odiando arroz branco) e nem faz mais cara feia para verduras no vapor. Só não gosta de sopas. O esquema da Cris deu tão certo que minha mãe a chamou. Com a autorização dela, troquei as sopas do nosso cardápio por outras receitas dos meus pais. Pequenas adaptações de percurso. Posso dizer que a alimentação em casa hoje é de outro nível. Mais variada, mais colorida, mais divertida. E ainda houve uma novidade que eu nem esperava. Mais barata. Como a semana é planejada, o desperdício é muito menor. Continuo comprando escarola achando que é alface, mas já consigo fazer manjar branco e pudim sem passar muita vergonha (meu problema agora é desenformar: alguém tem uma dica?). Em janeiro, vou chamar a Cris novamente para dar uma renovada no cardápio. Promessa de ano novo. E quem sabe em 2011 eu volto aqui para contar que virei uma cozinheira de primeira?

Contra o intestino ressecado

Já falamos aqui de alimentos que ajudam a regular a movimentação intestinal dos pequenos quando ela se torna um drama, algo possível de acontecer nessa época do ano, com muitas festas, rotina alterada, comidas diferentes e temperaturas nada amenas (para quem viaja pelo Brasil).

O pediatra Mauro Toporovski explicou que uma dieta rica em fibras deve ter de duas a três porções de frutas (como sobremesa e no lanche à tarde), além de muita água. É possível também acrescentar farelo de trigo nas receitas de massas caseiras. Uma colher de sopa de farelo de trigo contém até 15% das necessidades diárias de fibras (valores da dieta de um adulto).

Ele orientou substituir uma medida de farinha de trigo pelo farelo de trigo. Se você usa uma xícara de farinha de trigo na receita da panqueca, use meia. A outra metade é de farelo de trigo. A mesma regra vale para bolos.

Achei a dica preciosa também para as gestantes, que sofrem com o intestino mais vagaroso, e para as mulheres que têm maior tendência a ter intestino ressecado do que os homens.

beijos,

Patricia

Nesta data querida!

Miguel completa 6 anos hoje. Fiz uma festa de aniversário antecipada, no dia 8 de dezembro, para que todos os amigos da escola pudessem cantar parabéns para ele, juntos, antes que as férias escolares os dispersassem.

Nos próximos dias, farei um post sobre a festa, com as dicas que recebi de várias leitoras depois do pedido de ajuda. Hoje o post é sobre o café da manhã de aniversário do Miguel, que foi na cama, a pedido dele. Aliás, o pedido foi feito daquele jeitinho irresistível. Eu estava na cozinha, preparando os brigadeiros para a festa, que seria no dia seguinte, quando ele se aproximou e disse:

- Mamãe, no dia do meu aniversário, no dia 22, aquele dia que eu nasci, você pode fazer um café da manhã e levar na cama pra mim?

Pedido feito. Pedido cumprido com maior orgulho:

Miguel ficou felicíssimo. Adorou ter o seu dia de café da manhã, um mimo que começou num Dia das Mães, foi feito num Dia dos Pais e virou tradição nesta família.

Aniversariante do dia ganha café na manhã. Afinal, ele merece!

 

beijos,

Patricia

PS: De tão animado, Miguel nem comeu assim tão bem. Mas tá tudo bem!

Reflexões sobre comida e natureza humana

Li no caderno Equilíbio, da Folha de S.Paulo, um texto do psicanalista Francisco Daudt interessante refletindo sobre a natureza masculina e feminina com o alimento.

Reproduzo abaixo o texto na íntegra. Vale a leitura e ao final dela uma reflexão: Será que é isso mesmo ou Daudt está exagerando?

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Comida e natureza humana

VOCÊ ESTÁ na savana africana há 100 mil anos. Sua tribo é pequena, as mulheres se reúnem para trocar informações sobre onde coletar raízes e frutos e trocar favores para ter com quem deixar seus pequenos enquanto se aventuram.

As mais faladeiras são as mais simpáticas, as mais capazes de estabelecer redes de informações sobre os lugares de coletas e as mais hábeis em proteger suas crianças.
A isso, Darwin chamou vantagem evolutiva. Essas mulheres deixaram mais filhos que as casmurras, as ensimesmadas de poucas falas. Não é de espantar que as mulheres de hoje falem pelos cotovelos, em média três vezes mais que os homens. Elas salvaram seus filhos. É algo que temos que aturar? Ou admirar?
E os homens? Mais musculosos, menos apegados às crias, iam à caça, silenciosos, comunicavam-se por sinais, para não afugentá-la. Traziam as preciosas proteínas, que nos deram cérebro diferenciado. Cansados, sentavam-se ao redor da fogueira em silêncio cúmplice, amizade de homem.
Não é de admirar que hoje, em torno da TV, tomem cerveja e urrem com os lances do futebol. Amizade de homem.
Nem raízes e frutas eram fartas, nem proteínas da caça eram fáceis. Havia substâncias nelas que se acumulavam no corpo como uma reserva de combustível: açúcares (carboidratos) e gorduras (lipídios). Se a turma passasse um tempo de vacas magras, o corpo se abasteceria deles.
Novamente aí entra Darwin a dizer: quem gostou mais de açúcares e gorduras deixou mais descendentes. Somos descendentes daqueles africanos que gostavam mais de açúcares e gorduras, pois os outros morreram de inanição.
Pense num cheesecake com base de farinha (carboidrato, manteiga e açúcar), coberto de queijo cremoso (proteína e gordura), arrematado com geleia de framboesa (açúcar e mais açúcar). Olhe a fatia gorda na sua frente. Repare no que ocorre com suas glândulas salivares. Estão indiferentes ou jorram água na boca só de você ler isto?
Agora, uma diferença: na savana, você tinha que ralar para pegar um pouco de proteína, de açúcar e de gordura.
Não havia obesidade entre nossos ancestrais, muito menos academias de malhação.
Você está lendo o jornal na poltrona. O telefone está ao alcance da mão. Nele está gravado o número do serviço de entrega da quantidade de proteína, gordura e açúcar que você quiser. O que acha que seus genes vão pedir? Que saia à caça? Que busque as amigas para saber onde ficam as melhores raízes e frutas? Toda a parte boa pode ser entregue em casa: a fogueira está lá, basta chamar os amigos para ver TV com cerveja e pizza; as mulheres estão na cozinha, conversando sem parar, sem ter ido à coleta -a coleta foi até elas.
É essa a armadilha que a natureza nos preparou. Ela nos seduziu para que acreditássemos que isso é a tal da felicidade.


FRANCISCO DAUDT, psicanalista e médico, é autor de “Onde Foi Que Eu Acertei?”, entre outros livros

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Beijos,

Patricia

Problemas de alimentação

“A pobreza de cardápio generalizada, o sedentarismo, a publicidade de junk food, a falta de cuidados de saúde, o controle corporativo do sistema alimentar, a prevalência de fast food barata e de alimentos destinados a serem viciantes, além de subsídios e políticas que tornam as carnes e os açúcares mais baratos do que frutas e verduras estão entre algumas das causas dos problemas de alimentação, inclusive infantil, que assolam os paises no dias de hoje.”

Li essa frase em algum lugar, infelizmente não guardei a fonte, mas compartilho a ideia.  E você o que acha?

Beijos,

Patricia

Dedicação na cozinha não garante aplauso

Ontem maridón foi para a cozinha preparar o almoço de domingo. Levou os meninos para, juntos, fazer um delicioso macarrão a carbonara, receita que ele extraiu do blog de um colunista do The New York Times.

Os três se divertiram.

Samuel deve, inclusive, ter notado que, quando o pai comanda as caçarolas, ele tem mais acesso ao fogão do que nos momentos em que cozinha comigo. Samu aprendeu a fritar cebola e linguiça, a derramar vinho em alimentos que estão fritando, a colocar macarrão na panela com a água quente. A experiência bem próxima do fogão deu a ele a oportunidade de se impressionar com particularidades da receita (como a quantidade de pimenta) e de sentir os perfumes exalados pelos alimentos quando estão sobre a chama.

Já Miguel ajudou menos na cozinha. Colaborou arrumando a mesa e depois ficou andando de um lado para outro, fazendo figuração. Mas se divertiu com o clima de “papai cozinhando”.

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Macarrão pronto nos pratos, e o assunto “muita pimenta” voltou à tona. Samuel estava tenso com essa questão, por isso levantou o tema. Mas como a fome era maior que o medo de o condimento arder na boca, o garoto tratou de triturar o espagueti.

Adorou até porque a massa fica simplesmente deliciosa.

Já Miguel…

Bem, o garotinho de 6 anos ficou impressionado com o assunto pimenta e, apesar da fome, beliscou uns fios do espagueti e disse que “estava ruim”. Detalhe: macarrão é, depois de salmão, a comida que ele mais gosta.

E como ninguém gosta de rejeição, o almoço perdeu um tantinho do brilho após esse comentário. Só que nem eu nem maridón nos abalamos ao ponto de correr de volta às panelas para fazer outra comidinha só para ele. Depois de tanto ouvirmos as rejeições de Miguel adotamos a regra de “come o que tem. Se não quer comer, não é obrigado, mas ficará com fome porque ninguém vai para a cozinha fazer outra comida e deixar o que já está pronto esfriando.”

Ao adotar tal postura, tomo alguns cuidados. Uma hora depois, ofereci fruta (manga) que ele gosta. Ele comeu e, em seguida, mandou ver no Chandelle. Duas horas depois, o maridón fez pipoca. Encerrou o dia comendo um lanche de peito de peru com queijo branco.

Mas o fato é que, com criança, nem toda dedicação na cozinha é garantia de aplauso. A nós, adultos, restam a paciência e a maturidade.

beijos,

Patricia

PS: No próximo post, coloco a receita do macarrão a carbonara.