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Alergia alimentar


Eu já sabia que a alergia alimentar é uma encrenca porque meu Miguel foi um bebê suspeito de ter alergia à proteína do leite de vaca. Passados 6 anos do possível diagnóstico ainda lembro da loucura daqueles tempos. Está fresquinho na minha memória o dia em que brinquei com o pediatra, dizendo que éramos sócios da clínica dele, pois levava o garoto para consulta a cada 15 dias. Às vezes, quando os sintomas apertavam era consulta toda semana. (O pediatra deles não aceita plano de saúde. Então, éramos quase sócios da clínica naqueles tempos).

Lembro ainda das longas conversas que tínhamos com dr. pediatra. Eu, com minha cabeça de mãe e de jornalista, não conseguia entender porque não existia um exame que determinasse se era ou não alergia o problema do garoto e também não entendia como um bebê que era exclusivamente amamentado no peito podia ser alérgico a proteína do leite de vaca (!!!!). Será que eu era a vaca em questão? Não entrava nessa cabeça de bagre aqui por que o pediatra não fazia o tal exame de RAST ou uma endoscopia ou qualquer outro exame para confirmar a p*** do diagnóstico. Pacientemente, o dr. Pediatra explicava as razões para não picar, furar ou enfiar tubos no garotinho tamanho mini.

Essa semana, durante a palestra sobre o tema, dada pela dra. Renata Rocco, pediatra alergista da Unifesp e do Hospital Israelita Albert Einstein, ouvi as razões do diagnóstico difícil novamente e com mais detalhes. Na palestra, finalmente, tive a real noção do tamanho da encrenca (é enorme, gente!) que é a alergia alimentar.

A partir de hoje, vou fazer posts contando o que escutei na palestra, que ainda teve a participação da nutricionista Raquel Bicudo Mendonça, também da Unifesp. Aliás foi ela que nos apresentou o tal “bolo sem nada” (ao contrário do que havia escrito, infelizmente ele leva farinha de trigo :( entre os ingredientes.

Hoje, falarei sobre grupo de risco e o problema do diagnóstico e o tratamento mais utilizado.

E o começo da enorme encrenca está justamente em identificar o grupo de risco e fazer um diagnóstico preciso. Esses são os desafios iniciais. “É um desafio especialmente porque os sintomas podem ser confundidos com quadros relacionados a outras doenças”, disse Renata.

Exemplo clássico:

– A alergia alimentar provoca cólica intensa que, por sua vez, leva à irritabilidade do bebê. Gente, qual bebê recém-nascido não tem cólica e que por causa disso não fica irritado? “Qual o limiar entre alergia e a irritabilidade natural do bebê?”, perguntou a médica, indicando que não é possível saber se não ocorrer outras manifestações.

Miguel, por exemplo, teve cólicas loucas, mas só veio ter dermatite atópica (perebas no rosto) aos três meses – e elas eram horríveis. Começaram no mini-queixo e foram se espalhando pelas bochechas e quase alcançaram a pele dos olhos e isso em alta velocidade, algo como hoje tem uma mancha no queixo e no dia seguinte a pereba está quase no meio do rosto . Outro sintoma dele era o eterno nariz muito entupido, com bastante meleca – colorida, aquele verdinha, sabe.

Eu tinha a sensação que ele vivia gripado, irritado e perebento.

Quando levei Miguel ao pediatra, o médico logo desconfiou do diagnótico e mandou eu entrar em dieta, cortar todo leite de vaca. Daí descobri que tudo que a mãe come, passa ao bebê pelo leite materno. Dra Renata também confirmou essa certeza na palestra. “Tudo o que a mãe come passa pelo leite.” Foram as palavras dela.

A mãe entrar em dieta alimentar restrita (no caso dos bebês) é a primeira indicação de tratamento. Aliás, a mais indicada, segundo dra. Renata. É o chamado de teste de provocação oral. “Retira-se o alimento suspeito por um período de duas a seis semanas, seguida de nova exposição ao alimento, sempre acompanhada pelo pediatra, preferencialmente em ambiente hospitalar”, explicou a médica.

Os exames de sangue têm alta probabilidade em dar falso positivo ou falso negativo, principalmente em bebês. A endoscopia, ou outros exames invasivos, são indicados para crianças que estão em estado gravíssimo de saúde, com comprometimento sério do crescimento, por exemplo. Esses exames indicam com um pouco mais certeza o que pode estar causando a reação exacerbada do corpo.

Se o bebê, apesar das manifestações, cresce bem, está saudável, o tratamento mais indicado é o teste de provocação.

Mas como saber se é alergia ou não e qual alimento (ou quais alimentos) é o vilão? Cuidado com os achismos. Dra Renata explicou que existe um superdiagnóstico de alergia alimentar, principalmente em crianças. “Parece que qualquer coisa que a criança coloca na boca e depois passa mal a causa é alergia alimentar. Não é bem assim. Estima-se que 6% das crianças até 3 anos tem alguma alergia alimentar”, disse ela. 6% não é pouca gente, mas essa porcentagem não chega a 30%.

Os principais candidatos ao problema são filhos de pais com alguma alergia, nem precisa ser alimentar. E aqui tem-se mais um desafio para os médicos porque 40% das pessoas têm, por exemplo, rinite alérgica.

Outro desafio: crianças com país que não têm histórico de alergia também podem ter o problema na infância, caso do meu Miguel, já eu e maridón não temos histórico de alergia.

Crianças que têm algum doença que lesa a região gastroinestinal, como por exemplo o rotavírus, também pode vir a desenvolver uma alergia alimentar depois do problema. Isso eu não sabia. Miguel teve rotavírus, mas depois da manifestação dos sintomas de alergia alimentar.

Por isso que determinar o público-alvo e fechar o diagnósticos são os primeiros dos desafios desse problema que, infelizmente, vem crescendo. “Aumentou em 18% a prevalência do problema nos EUA, nos últimos dez anos”, disse a médica.

E recado mega importante da médica:

“Ao primeiro sinal de alteração no comportamento ou no corpo da criança, a família deve procurar um pediatra, que dará início ao acompanhamento do paciente para definição do diagnóstico e, confirmado o quadro alergênico, determinará o tratamento adequado.

Sob qualquer suspeita de reação do filho a algum alimento, os pais devem consultar um pediatra, único responsável pelo diagnóstico e também pela indicação de tratamento. Dietas não devem ser realizadas sem o acompanhamento médico e diagnóstico fechado, em razão dos riscos nutricionais para a criança.”

Demorei mas consegui finalmente postar a receita do bolo de chocolate sem ovo, leite e soja.

Rende: 25 porções.

Tempo de preparo: 40 minutos

Esta receita NÃO CONTÉM OVOS, LEITE E SOJA. CONTÉM GLÚTEM E FARINHA DE TRIGO

INGREDIENTES

Massa (faça 2 receitas)

1 xíc de chá de água

1/2 xíc de chá de chocolate em pó sem leite

2 1/2 xícs de farinha de trigo

1 xíc de chá de açúcar

3/4 colher de chá de bicarbonato de sódio

1/2 colher de chá de sal

1/2 xícara de chá de óleo (não pode ser de soja)

1 colher de chá de essência de baunilha

2 colheres de chá de vinagre branco

RECHEIO

50 gr. de coco ralado

1 xíc de chá de leite de coco

1 xíc de açúcar

1 1/2 colher de sopa de farinha de trigo

1 colher de sopa de margarina sem leite

COBERTURA

1 caixinha de Maria Mole

MODO DE PREPARO

Massa

1. Lave as mãos. Ligue o forno para aquecer.

2. Misture a água morna e o chocolate em pó sem leite numa tigela pequena até dissolver.

2. Numa tigela grande, misture a farinha, o açúcar, o bicarbonato e o sal.

3. Faça um buraco no centro dessa mistura e coloque o óleo, a mistura de chocolate em pó sem leite e a baunilha.

4. Mexa bem até ficar homogêneo.

5. Por último, coloque vinagre e misture bem.

6. Unte a forma com óleo e polvilhe com um pouco de chocolate em pó sem leite (ou com cocô ralado).

7. Coloque a massa na forma e leve ao forno imediatamente.

RECHEIO

1. Coloque, em uma tigela, o coco ralado e o leite de coco e deixe descansar por 3 minutos.

2. Leve ao fogo médio em uma panela junto com o açúcar, a farinha de trigo e a margarina sem leite.

3. Quando a mistura desgrudar do fundo da panela desligue o fogo.

 

COBERTURA

1. Prepare a Maria Mole conforme indicado na caixinha.

MONTAGEM

1. Passe o recheio em cima de um dos bolos e coloque o outro bolo em cima.

2. Logo em seguida passe a cobertura.

Está pronto!

Comi esse bolo no evento da Nestlé, na semana passada, sobre alergia alimentar. Gostei muito. Em geral, bolos sem leite ou ovos são secos, sem liga e de sabor sofrível. Este não. Tem consistência macia, é úmido e saboroso. Dá tranquilamente para servir em uma festa de aniversário, coberto com coco ralado e confeitos coloridos feitos de açúcar e corante (mas é importante ler o rótulo).

 

Dois momentos das palestras sobre alergia alimentar me surpreenderam.

O primeiro foi quando a dra. Renata Ruocco, pediatra alergista da Unifesp e do Einstein, explicou que nem sempre o organismo vai provocar uma reação exacerbada no primeiro contato com alimento. Mas esse primeiro contato sempre vai sensibilizar o organismo, que estará atento e numa segunda oportunidade bummmm!

Ela exemplificou esse primeiro contato de sensibilização com o que chamou de “mamadeira assassina”:

O recém-nascido, sabe-se lá por qual motivo, recebe no berçário da maternidade uma mamadeira com fórmula de leite de vaca. Ninguém na maternidade pergunta para a mãe se alguém da família do bebê é alérgica ou se a família autoriza dar o leite. Aliás, enfermeiras e médicos sequer nos avisam que dão leite aos nossos filhos.

“Pois é. Daí, a criança bebe aquela mamadeira assassina. Passa os seis meses seguintes apenas no leite materno e quando começa o desmame e tem contato com leite de fórmula de vaca, pronto, está sensibilizada e vai começar a ter reação. Temos uma grande briga com as maternidades para que antes de dar qualquer leite deveriam passar um questionário para a família sobre o risco de alergia”, disse a médica.

Nunca tinha pensado nisso. Ainda bem que alguém pensa (hehe). E é muita verdade, gente! Antes de ir dando a mamadeira de leitinho porque o leite da mãe não desceu e sem pensar que esse leitinho vai apenas matar a fome e não vai provocar nenhuma reação, que tal ir além e pensar nas consequências? Hello, maternidades!

Outro dado que me deixou, bah, tché, surpresa, foi quando a Dra. Raquel Bicudo explicou onde os principais alérgenos podem se esconder. O exemplo abaixo é para o leite:

Lista de sinônimos: (se você ler os seguintes nomes nos rótulos de alimentos, saiba que tem leite)

¤Caseína

¤Caseinato

¤Lactoalbumina

¤Lactoglobulina

¤Lactulose

¤Lactose

¤Proteínas do soro

¤Soro de leite

¤Whey protein

Ingredientes que podem conter leite na composição: Aroma de queijo; Sabor de manteiga; Sabor caramelo (Oi? Como assim?); Sabor creme da Bavária; Sabor creme de coco; Sabor de açúcar queimado (Hei?, Desculpe, como assim?);

Onde o leite pode estar escondido? (Ah, seu danado!)

¨Preparações que utilizem margarina (produto que muitas vezes tem leite na composição).
¨Frios fatiados na mesma máquina em que foi fatiado queijo.
¨Chapas ou formas que tenham sido untadas com manteiga ou margarina contendo leite.
¨Utensílios, como pegadores ou facas que tenham sido utilizados em produtos contendo leite.
¨Liquidificador mal lavado. (Sabe liquidificador de padaria, onde o povo só passa água depois de bater a vitamina? Então é ali que é feito o suco de maracujá que seu filho toma e depois fica todo perebento.)
¨Preparações Fritas em óleo comum à outras preparações contendo leite ou derivados.

A dra. Raquel contou o caso da padaria que colocava leite em pó na massa do pão francês para ficar mais fofo e não avisava os clientes. Pode colocar o que quiser, mas avisa, pô! Alergia mata, c******!
Tanto a dra. Renata quanto a dra. Raquel repetiram várias vezes que o laboratório onde trabalham, na Unifesp, tem uma longa “briga” com a Anvisa sobre a necessidade de transformar em lei a obrigação das empresas alimentícias em colocar no rótulo frases como Contém leite, Contém Ovos. Tal qual a Contém Glúten.
A situação é série: estima-se que 6% das crianças tenham alergia a algum alimento. Vamos fazer uma conta: segundo o IBGE, há cerca de 33 milhões de crianças de até 9 anos de idade.  Se cerca de 6% têm alguma alergia alimentar, significa que 1,980 milhão podem ter alguma alergia alimentar. Será que não merecem atenção no rótulo?

 

Aliás, as empresas poderiam ser pró-ativas (Hello, empresas!) e incluir essas frases no rótulo. Se são empresas que pensam mesmo no consumidor, poderiam dar um passo além da lei, certo? Só pra gente não ficar com a sensação de que elas pensam só nos lucros!! kkkk.

O que falta é pró-atividade. A começar pelo poder público.

Se precisa de mais informações sobre alergia alimentar, acesse: www.girassolinstituto.org.br

É isso.

Beijos,

Patricia